sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Zeca Afonso.


José Afonso (músico)
1929.Agosto.02 – Aveiro, Portugal / 1987.Fev.23

Quando os pais lhe deram o nome de José Manuel acrescido dos apelidos Cerqueira Afonso dos Santos naturalmente nunca imaginariam que o seu filho seria reconhecido tão só por Zeca Afonso para todo e qualquer português. Os seus primeiros anos até 1940 foram passados entre Angola, Moçambique e Portugal. Em 1949 ingressa no Curso de Ciências Histórico Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra. Integra o Orfeão Académico da Universidade. Em 1953 nasce o seu primeiro filho do casamento com Maria Amália e um ano depois nasceria Helena. Em 1956 edita o primeiro EP “Fados de Coimbra”. Zeca gostava muito de tocar serenatas no seu tempo de estudante e também de cantar em colectividades e festas populares. Apesar das dificuldades financeiras, conclui o curso em 1963. Entre 1955 e 1957 dá aulas em diversos locais do país. Em 1958 vê-se obrigado a enviar os filhos para Moçambique para juntos dos seus avós. Entre 1964 e 1967 Zeca está em Moçambique onde reencontra os filhos e onde nasce a sua filha Joana da sua nova relação com Zélia. Em 1967, já de regresso a Portugal e depois de uma grave crise de saúde, é expulso do ensino oficial. Será depois convidado para aderir ao PCP. Vive de explicações que vai dando e de alguns concertos onde canta e toca. Em 1970 nasce o seu quarto filho, Pedro. José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal.

Zeca Afonso foi um compositor e músico de enorme valor. Iniciado nos fados e Coimbra teve na música tradicional portuguesa e na música dita de intervenção um lugar muito importante. Editou inúmeros discos muitos deles gravados em estúdios no estrangeiro: “Traz outro amigo também” (1970) foi gravado em Londres, “Cantigas de Maio” (1971) em Paris tal como “Venham mais cinco” (1973), “Eu vou ser como a Toupeira” (1972) foi gravado em Madrid. Recebeu alguns prémios pela sua obra discográfica, tendo em 21 de Março de 1970, a Casa da Imprensa atribuído o Prémio de Honra pela «alta qualidade da sua obra artística como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em todo o movimento de renovação da música ligeira portuguesa». Apesar do reconhecimento público pelo compositor e cantor não deixou de sentir o sabor amargo da prisão em 1973 onde esteve cerca 20 dias, preso pela PIDE por razões políticas. Mesmo assim a 29 de Março de 1974, o Coliseu, em Lisboa, encheu-se para ouvir Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a sessão com «Grândola, Vila Morena». Militares do MFA estão entre a assistência e escolhem «Grândola» para senha da Revolução. Depois da revolução de Abril participará activamente no PREC ao lado dos movimentos de esquerda e extrema-esquerda. Dará o seu contributo e apoio nas duas campanhas de Otelo à presidência da República e em 1986, num dos seus últimos manifestos políticos, apoia Maria de Lurdes Pintassilgo, na sua candidatura presidencial. A Ordem da Liberdade foi-lhe atribuída por duas vezes. Em vida recusou e postumamente a sua mulher Zélia também a recusou das mãos de Mário Soares. No dia do seu funeral assistiram cerca de trinta mil pessoas ao cortejo fúnebre.

A sua música perdurará em todos aqueles que amam a Liberdade.

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