domingo, 2 de março de 2014

CEO e CÉU



Os tempos estão alterados, dizem uns; os tempos estão diferentes, dizem outros; os tempos, agora, já não são o que eram, dizem aqueloutros.

E, no mundo laboral e organizacional, tendo em conta a estrutura de uma empresa, as mudanças no que toca ao seu organograma são abissais.

Primeiro, havia o patrão e os empregados; depois, apareceram o presidente, os administradores, os directores, os chefes departamentais, os chefes de secção, os chefes de sector, os administrativos, os contínuos, os paquetes, os porteiros, etc., numa infindável nomenclatura de colaboradores, como eufemisticamente e actualmente chamam aos trabalhadores.

Hoje em dia, nomeadamente a imprensa ligada à economia e ao mundo empresarial, ao falar de quem está no topo das grandes empresas e organizações de vulto, passou a usar os termos CEO e Chairm, como se a Língua de Camões, a nossa mais profunda matriz cultural que encerra toda a endogenia herdada dos nossos egrégios antepassados, estivesse já sepultada, como se fosse uma língua morta.

Eu, até cheguei a pensar que CEO, como neologismo verbal, pudesse significar, tal como o é para quem está em tais altos cargos, uma espécie de CÉU, em que o U se fechasse em O, tal como uma bolha de autêntica beatitude celestial para com quem mora tão alto, em relação aos demais terrestres, uns autênticos sem-abrigo perante tais senhores.

Mas, como sou uma mente diabólica e um má-língua da pior espécie, as coisas não são bem assim, pois a candura deste nosso Paraíso Terreal não tem limites para com tais anjos de topo, que tudo de bom merecem.

Eu explico: Chairm é o equivalente a Presidente do Conselho de Administração; e CEO – Chief Executive Officer, é o mesmo que Presidente Executivo de uma Organização.

 

José Amaral

 

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