segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

PERIGO NOS HOSPITAIS PÚBLICOS!

PERIGO NOS HOSPITAIS PÚBLICOS!

A recente tragédia ocorrida no Hospital S. José, em que o jovem David Duarte de 29 anos perdeu a vida, porque numa situação de urgência teve de esperar que o fim de semana acabasse para ser operado, é de bradar aos Céus. Não pelos mesmos motivos que a opinião pública e publicada tem referido "ad nauseam". Não é perguntando ao ex-ministro Paulo Macedo sobre os cortes orçamentais que teve de fazer. Não é transformando esta tragédia em arma de arremesso político, como infelizmente é norma em Portugal. É fazer tudo para que no futuro, nunca mais aconteça isto, mesmo com os inevitáveis cortes orçamentais. Em primeiríssimo lugar, é uma tremenda falta de ética e solidariedade humana, saber-se de ciência certa que um doente vai morrer numa Urgência hospitalar, porque não quisemos (ou pudemos) incomodar um médico e chamá-lo para salvar uma vida humana, mesmo que isso tenha custos financeiros. Recuso-me a acreditar que em orçamentos hospitalares de muitos milhões de euros, uns quantos milhares para salvar vidas humanas não possam ser gastos. Nem que se tivesse de cortar em cantinas, refeitórios, papel higiénico, tudo teria de ser feito para acomodar situações de vida ou de morte nas urgências. E essa competência é das administrações hospitalares, nunca do ministro. E finalmente, mas não menos importante, é preciso acabarmos com as "capelinhas" e desenvolvermos uma verdadeira complementaridade entre os hospitais públicos e privados. Claro que é indispensável que o Estado, titular do SNS seja uma pessoa de bem, e pague na hora os seus compromissos. Quando num caso destes, o hospital público não tem médico especialista na urgência e um outro privado o possui, na organização da assistência médica, o doente, numa situação de urgência grave, deveria logo ter sido transferido para a unidade privada e o SNS que pagasse a conta. No século XXI, com as comunicações tão fáceis e a Internet em todo o lado, não se afigura difícil este planeamento na assistência. E o seu custo não seria com certeza superior ao do praticado no hospital público. Que estas perdas de vida não tenham sido em vão, e os responsáveis hospitalares e os políticos que os dirigem, saibam fazer o seu trabalho de uma vez por todas, que é salvar vidas, sendo solidários e eficientes e não frios burocratas.
OBS. Este artigo foi publicado no semanário EXPRESSO, na sua edição de 31/12/15.
Foi também publicado, na íntegra, no jornal PÚBLICO na sua edição de 2/1/16.

4 comentários:

  1. As pessoas sensatas e atentas vão verificando as diversas anomalias que decorrem no palco onde se representa a vida diária do nosso país. Algumas manifestam o seu acordo ou desacordo com as ocorrências, mas, pelo o que a experiência nos diz, ninguém a nível superior administrativo lhes liga qualquer importância, pois para os políticos e decisores o que para eles é "peixe miúdo" não merece muita atenção. Os médicos vão continuar a seguir a linha da Ordem, os administradores da Saúde seguirão cegamente o que os dirigentes lhes encomendam e quem precisa continua de mão estendida. É o Portugal que temos e para o qual contribuímos, uns por acção, outros por omissão. Contudo, esperemos que consigamos sair desta letargia e construir um mundo melhor.

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    1. Amigo Joaquim (se posso já tratá-lo assim), concordo em absoluto (como quase sempre, aliás). São as "capelinhas", próprias de um Portugal pequeno e não o Portugal "d'além mar", que já fomos antes. Neste dia especial, desejo-lhe a si e aos restantes companheiros desta jornada na "Girafa", um muito BOM ANO de 2016, com felicidade, Saúde e Paz.

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  2. Sempre optimista e moderado o amigo Tapadinhas. No entanto, como um disparo certeiro: " É o Portugal que temos e para o qual contribuímos, uns por acção, outros por omissão".

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