terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A incerteza encarcerada

Esta não é a primeira vez que comento o caso impróprio, e suspeito de que será sempre um acontecimento inacabado de tanta incerteza maldita. O caso Rui Pedro, desaparecido em Lousada e investigado por tudo quanto é esquina e beco, mato, buraco e net, sem que até hoje alguma coisa nos trouxesse verdade e paz. Faz quase uma vintena de anos que o miúdo da bicicleta, rolava sobre rodas entretido ali perto de casa, enquanto se divertia sob o olhar distraído da mãe, e abandonado da preocupação do pai, assoberbado no seu trabalho, desapareceu até hoje, sem que se tenha uma pista sequer do que terá acontecido. No entanto, um homem foi preso ao fim de muita(!) investigação e pouca lucidez na sua condução pelas autoridades especiais. Um homem está preso, e vai continuar para sempre nessa condição sem que haja a convicção, a mínima dúvida de que foi ele o verdadeiro, o único, o principal implicado no caso traumático para duas ou mais famílias. Um homem que foi julgado, antes, durante, e após ter rolado com o seu camião por estradas de pó e de asfalto em busca do pão, do seu sustento, para no regresso a casa, a que nunca fugiu, o descarregar e pôr na mesa junto dos seus, aonde o esperavam com mais lágrimas do que com fome. Sempre tendo, o medo, como companheiro na cabine da angústia, quer em viagem, dentro da solidão, no seu vai-e- vem que o trabalho obrigava. Por outro lado temos uma família sofrida até não poder mais, que não mais teve de volta o seu filho querido, por outras voltas que tenha dado, por tantos caminhos, vias electrónicas, e tribunais terrestres, com um advogado, que a todo o custo quis fazer prova, mais mediática e proveitosa quanto teimosa, de que ali estava o homem-chave capaz de nos conduzir a todos à verdade, e promessa disso fez, como conduziu, o agora preso, sempre em segurança o seu camião de longo e pensativo percurso. Advogado apostado é advogado bem pagado. O camionista não é homem mediático, e não tem recursos nem amigos republicanos nem maçónicos, para avançar para lá da dificuldade aonde pudesse carregar as provas incontestáveis que o ilibassem. E Tribunais imunes a pressões e até Constitucionais não lhe deram séria importância. Afonso, o homem encarcerado em Guimarães, terra aonde um graduado de polícia anda à solta após desancar com porrada e o bastão da cobardia, uma família doce, após um jogo da bola, vai ter saida precária da prisão que o diabo ergueu à sua volta por uns Dias. Por bom comportamento - licença banal em matéria grave. Atitude ou bom-senso, que segundo a acusação lhe faltou aquando o Rui Pedro, que era um amigo mais novo, deixou-nos e a sua alegria de pedalar na sua bicicleta recreativa, não se sabendo absolutamente nada sobre o que terá acontecido. Afonso Dias, regressará após o período concedido em liberdade, à prisão aonde retomará a figura do diabo, sem que o advogado, mau pagador de promessa feita, e uma prostituta, com quilómetros de pecado e de falta de credibilidade, uma mãe e um pai, incansáveis com a cruz da dor e da escuridão às costas faz anos, uma polícia duvidosa e vazia, conseguissem até hoje provar-nos que Afonso Dias foi mais precário do que alguns intervenientes no processo que o julgou e condenou, e que estes é que deviam beneficiar de uma entrada precária nas grades, pela injustiça alegadamente cometida, por sem resposta indesmentível que nos descanse e pacifique a todos.
                 

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