segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

ATÉ SEMPRE MESTRE

Ate´sempre ...
E aos 84 anos Umberto Eco partiu.
Partiu e eu estou triste porque foi ele o responsável pelo meu percurso académico, por ter enveredado pela Sociologia, pela intervenção cívica e mais tarde pela escrita. Até ao nível da gestão dos afectos e na incessante procura de faço do comportamento humano, as obras deste genial senhor foram uma referência.
Nunca esquecerei a primeira leitura dele que fiz, devorado em dois dias - o Nome da Rosa, talvez a sua obra mais conhecida devido a adaptação ao cinema com o também genial Sean Connery a vestir a pele do frade franciscano Guilherme de Baskerville.
Outros se seguiram, tal como o Pêndulo de Foucault ( um dos seus maiores êxitos foi escrito em Portugal, e também em Tomar, uma vez que a obra aborda a questão dos segredos templários ) , o Como se faz uma Tese, O cemitério de Praga e o mais recente Número Zero, entre outros.
No seu último romance, Número Zero, publicado no ano passado Eco demonstra mais uma vez toda a sua genialidade e sentido de oportunidade ao fazer uma crítica à falta de profundidade e análises de muito do jornalismo que se faz actualmente, que mais não faz do que idiotizar o público, reduzindo-o a meros consumidores anestesiados.
Foi até ao fim um vigoroso defensor da importância do pensamento crítico a vários níveis. “Os livros não são feitos para acreditarmos neles mas para os questionarmos. Quando pensamos num livro não devemos perguntar-nos o que é que diz mas sim o que é que significa”, dizia.
Partiu deixando o mundo cientifico e literário definitivamente mais pobre mas deixando também, através dos seus livros, matéria mais do que suficiente para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor para se viver e conviver.
Deixa saudade, a mim que era uma sua leitora assídua e seguidora da sua obra e intervenção social, mas deixa imensas memórias e uma imensidão de recados. Saibamos todos lê-lo, interpretá-lo e sobretudo questioná-lo como ele tanto gostava de incentivar as pessoas a fazer.
Com toda a certeza nos tornaremos melhores Pessoas.
Até sempre...


7 comentários:

  1. Respostas
    1. Eu é que agradeço ter oportunidade de partilhar aquilo que sinto. Bem haja.

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  2. Também eu agradeço. E aproveito para perguntar à Graça se leu o "Pára-quedista Provocador" ou se já viu os novos dois insultos a si dirigidos nos comentários ao seu texto " O fenómeno Trump". Um deles, cobardemente anónimo.

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    1. Obrigada Francisco . Sim já li os comentários e estou certa de que os que os proferiram devem ter algum problema de afirmação - quem insulta de forma gratuita é certamente uma pessoa mal resolvida e portanto não respondo porque seria descer a um nível tão rasteiro que chega ao da imundice e eu como sou uma senhora, não frequento tais patamares.
      Tenho pena de tais pessoas, sobretudo do anónimo. Quanto ao outro, como gosto de muito de aprender e ele me chama ignorante, espero ansiosamente por ler alguma coisa da sua autoria, com substância, que me estimule intelectualmente, mas temo ir esperar sentada porque por mais que procure não encontro nada da sua lavra para me enriquecer.

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  3. Também eu agradeço. E aproveito para perguntar à Graça se leu o "Pára-quedista Provocador" ou se já viu os novos dois insultos a si dirigidos nos comentários ao seu texto " O fenómeno Trump". Um deles, cobardemente anónimo.

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    1. o Pára-quedista Provocador ainda não li, mas agora fiquei curiosa. Obrigada.

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    2. fico muito grata pelo gesto educado e solidário. Nos post referido dei a minha opinião. Obrigada. Acho que já terei matéria para mais um artigo, mais virado para as questões de auto-estima e da saúde mental. :)

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