terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

QUANDO MENOS SE ESPERA...

                                                 MINIMIZANDO A DESGRAÇA
A minha aldeia, Serdedelo, foi atingida, no passado domingo, por uma coisa nunca antes vista por cá. Mas se os danos materiais são elevados, não houve, felizmente, vítimas a lamentar.
Foram dois dias de trabalho intenso, em que todos se uniram para ajudar a remover incontáveis toneladas de entulho – lama, pedras e árvores – que foram arrastados encosta abaixo, invadindo casas e arruamentos.
Pretendo, com estas linhas, destacar o sentido de entreajuda que continua vivo nas nossas aldeias. De facto, não foi preciso serem chamados; todos, velhos e novos, até aqueles que trabalham por turnos, noutras localidades,  ao saberem pelas rádios e televisões da verdadeira dimensão do  que acontecera na noite anterior, mal chegavam a casa, mudavam de roupa,  pegavam nas ferramentas e acorriam sem demora a tentar minimizar o sofrimento de um semelhante em momento difícil.
É que as máquinas não chegavam aos pontos onde o entulho mais tolhia a vida das pessoas, sendo preciso muito trabalho braçal, que foi intenso nestes dois dias em que a chuva deu tréguas. Ainda não está tudo concluído, mas já se pode circular com mais facilidade para proceder às limpezas finais e poder avaliar o montante das obras necessárias para repor as coisas como estavam.
Como é bom de ver, também ajudei no que pude, tendo até aparecido no centro de uma foto na primeira página do JN, enterrado na lama, de galochas e pá na mão. Não posso terminar sem referir um episódio que a todos emocionou: a família mais atingida perdeu vários animais, entre os quais se julgava também o cachorro  debaixo da lama; mas, para surpresa geral, acabou por aparecer, nítidamente desorientado no meio de tanta gente. E quando o dono, alertado, chamou por ele, estendendo os braços na sua direcção, o bicho saltou-lhe para o colo, chorando ele e o dono e fazendo chorar os circunstantes.

Amândio G. Martins

2 comentários:

  1. O infortúnio juntou as pessoas e até o cãozito.Comovente. Sem dúvida. Mas que se voltem a juntar por outros motivos agradáveis.

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  2. É, senhor Ramalho. As pessoas andam cada vez mais ensimesmadas, cada um remando para o seu lado. Mas é reconfortante verificar que, em casos como este, se mobilizam, não assobiem para o lado...

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