segunda-feira, 7 de março de 2016

TRISTE POVO, TRISTE FADO

Como este país continua a ser Fado, Futebol e Fátima ; como estamos na Quaresma , o fim de semana futebolístico foi o que foi e sendo eu assumidamente benfiquista, tenho estado aqui  na dúvida sobre escrever ou não escrever.

Contudo existem coisas que me tiram do sério e por isso aqui vai.

Eu sei que cada um gere os seus estados de alma como pode, quer, e em muitos casos como sabe ( existindo em todos as cores quem saiba e quem não saiba ). Também sei que , como diz o povo, pimenta no cú dos outros é refresco ( desculpai o quase vernáculo ) e nestas coisas dos amores ao clube, a lucidez é algo que desaparece por completo, quer quando se ganha , quer quando se perde. Tento, por isso perceber todos os excessos que li, aqui e noutras fontes; ouvi e vi, dando o desconto de que o coração é sempre mais sonoro que a razão e menos sensato.

Sendo benfiquista como todos sabem, obviamente fiquei feliz pela vitória de sábado, não teria a desfaçatez hipócrita de dizer o contrário. Contudo, antes de ser benfiquista, sou cidadã, e sinceramente não consigo entender como é que uma porcaria de um jogo de futebol é notícia de abertura em todos os órgãos de comunicação social, quando há tanta coisa realmente importante a ocorrer no país e no mundo. Bem, na verdade eu até sei a resposta, é que enquanto se envenena a alma de ganhadores e perdedores com a repetição até ao vómito de lances, declarações e opiniões de “experts”, o povo não pensa no que se passa no país real, ainda que lhe estejam a ir ao bolso ou a hipotecar-lhes o futuro dos filhos.

Eu sei que estou a malhar em ferro frio e até existirão pessoas que vão pensar – olha esta armada em cívica porque ganhou …
Pensem o que quiserem, mas quem me conhece sabe que já não é a primeira vez que escrevo sobre isto e já o fiz em situações em que o meu clube perdeu.

A razão que me leva a fazê-lo é porque acredito piamente que todos os fundamentalismos são nefastos e para além de fazerem mal à saúde, são  tantas vezes causa de fortes desavenças e mesmo corte de relações entre pessoas “amigas”.

Por isso meus queridos e queridas aqui fica a minha opinião que vale o que vale – brinquem se forem capazes, mas não de desgastem, porque no final das contas, eles é que ganham o deles .
Se ganharam, saibam ganhar e respeitar quem perdeu ; se perderam saibam perder e respeitar quem ganhou.

Dir-me-ão que não foi justo que é só corrupção e tal…e eu respondo…pois , se calhar é verdade mas isso aplica-se a todos e sempre, não é só quando se ganha ou perde e por mais que esperneiem esta realidade que é transversal aos clubes a o país não vai mudar só porque o nosso clube ganhou ou perdeu.

E por favor, não me venham com a treta de que uns são mais que os outros, porque , desculpem o vernáculo de novo, a merda é toda a mesma, nós é que só sentimos o cheiro dos outros.


Tenho dito.

2 comentários:

  1. Eu também sou benfiquista e em tempos, quando novo, cheguei a ser sócio do clube. Depois, há cerca de 20 anos, ajudei a fundar a Casa do Benfica, no Montijo, sendo durante alguns anos dirigente. Logo, dou esta informação porque pode haver um conflito de interesses. Na minha família mais directa, não dou por haver adeptos doutro clube, mas, por alguns outros membros que vão entrando, namorados de netas, já vão surgindo sportinguistas, que são bem-vindos por entrarem na família. Pelo tempo que os órgãos de informação lhes dedica, o futebol é hoje o tema mais importante da vida social. Funciona como um entorpecente para desviar a atenção dos problemas importantes que deviam ser resolvidos e não o são. Poucos ou nenhuns se incomodam com as verbas astronómicas que são auferidas por jogadores, agentes e dirigentes desportivos, e uma cáfila que deste desporto se alimenta, até à indigestão. São épocas em que certos valores predominam até que as consciências acordem. Como tudo tem um tempo para existir, este fenómeno, que atingiu o apogeu, decairá quando chegar o seu tempo.

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  2. Aqui estão um texto e um comentário de uma lucidez cristalina. Não sei se viram a reportagem na SIC NOTÍCIAS da jornalista Joana Latino à saída do estádio com sportinguistas. Foi um coro de palavrões e até uma ameaça de agressão à repórter.Um energúmeno tentando arrancar-lhe o microfone da mão.Não está em causa o futebol que até é uma modalidade desportiva interessante, mas sim o putrefacto mundo que dele se vale e aproveita, onde se inclui o Poder que esfrega as mãos com toda a alienação, agressividade e boçalidade. Já no tempo da outra senhora assim era, mas agora ainda está muito pior.

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