segunda-feira, 11 de abril de 2016

A bofetada de Costa

Na edição deste domingo, 10 abril - ainda sem ministro da cultura em Portugal depois da demissão de João Soares-, o Público sublinha o trabalho que as câmaras municipais têm vindo a realizar há vários anos no sector cultural. Como escreveram os jornalistas Carlos Dias e Sara Dias Oliveira, o poder central devia estar mais presente, “mas as câmaras dão conta do recado”.
Até parece que só o poder local se dá conta de que a cultura é, de facto, um “motor de desenvolvimento”. Refiro apenas o exemplo do meu município que, segundo o seu vereador da cultura, as receitas de 2015 foram superiores às expectativas em 14 mil euros.
Mas não chega o dinamismo local nesta área. Tem que existir uma política cultural que parta do poder central. Tem que existir um ministério e, evidentemente, um ministro à altura. Portugal não tem valorizado, nem de perto nem de longe, este setor. O Governo anterior não criou o ministério da cultura e, o atual, escolheu mal o ministro. António Costa foi o responsável pela escolha de João Soares que conhece muito bem (foi seu vereador da cultura na câmara de Lisboa).
Os portugueses exigem um ministério da cultura e um ministro exigente, pacificador, que saiba relacionar-se «diplomaticamente» com todos e, sobretudo, com jornalistas e suas críticas, e que trabalhe! E que o faça no sentido de elevar o nível cultural do pais e que incentive artistas e seus projetos.
A segunda bofetada de Costa para João Soares foi ter escolhido um diplomata para o cargo, Castro Mendes ( a primeira bofetada o «ultimato» aos seus ministros para que não se esqueçam que, mesmo no café ou noutras circunstâncias, não deixam de representar o governo português).

Esperemos que Costa tenha escolhido bem o segundo ministro da cultura (no espaço de 4 ou 5 meses) que, como escreveu Manuel Carvalho, não seja alguém que pertence a essa classe de políticos quer se “julgam investidos de um direito divino a viver e agir acima dos mortais” e que não seja outro “aristocrata da política” ao jeito de João Soares.

PÚBLICO, 12-4-2016

2 comentários:

  1. Só agora tive oportunidade de ler esta sua carta, aliás publicada hoje mesmo no Jornal PÚBLICO e os meus parabéns à Céu por remar contra a maré. É que há gentinha que se o “artista” vestisse uma camisola de outra cor, já teria vindo para aqui , como habitualmente, com todo o seu veneno, fanatismo e frustração, ofender todo aquele que critique qualquer acto da actual governação. Devem ser saudades ou até mesmo ligações à ditadura.

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