sexta-feira, 15 de abril de 2016

Com «Panamás» assim, nem precisamos de terrorismo


Com “estes” factos que dia a dia nos são exaustivamente transmitidos de destruição de Estados por poderosos, que tudo fazem para não pagar impostos como nós, os “normais”, não necessitamos por certo

de terroristas, de bombistas.

Nada disso. Os Estados, entre os quais o nosso, vão-se assim autodestruindo, rapidamente.

Os recrutadores do Daesh, que até por cá andaram faz dias, ao vivo, a cativar jovens para a sua — deles — causa, podem sossegar, nós saberemos dar “conta” disto tudo. Entre a corrupção caseira, que vai surgindo à luz do dia e sem nunca saber de condenados que não só sejam “exemplarmente” penalizados — para desmotivar outros — e que devolvam o que não é seu, aos “Panamás” off shores, é um tal “fartar vilanagem” que isto tudo se vai auto-implodindo alegremente e os terroristas podem ficar de longe, só a ver.

E o estado de espírito de todos nós, os ditos normais — que o estamos a deixar de ser ou a ser assumidos como extraterrestres —, os que não temos contas em off shores nem nunca tivemos, que pensamos que nos portamos bem, que somos “certinhos “ em pagamentos de todos os impostos e obrigações, vai-se degradando.

Começa por não se acreditar nas instituições, nos reguladores, nos fiscais, nos controladores, e duvida-se do vizinho. E “isto” nota-se nos mais pequenos detalhes, desde a condução automóvel com um pleno de agressividade e desrespeito pelas mais elementares regras de condução e pelo próximo, ao nível de deseducação generalizada, por todo o lado.

O medo está cada vez mais presente, não da bomba, mas do amanhã sem bomba. O medo faz com que a agressividade esteja à flor da pele, levando ao insulto fácil, à falta de respeito.

 Assim, não precisamos de terroristas, bombistas, o Daesh que fique junto à Síria e depois aqui, na Líbia, tem tempo, nós damos cabo de nós mesmos sem eles nos rebentarem.

O país precisa, urgentemente, de todos com direitos, mas com deveres, de gestos “exemplares” a virem de cima, de progresso, de transparência, de liquidez. Tudo o resto é fazer de conta!



A. Küttner de Magalhães,
PÚBLICO, sexta , 15 de abril 2016

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