domingo, 8 de maio de 2016

A raiz do mal

Na ânsia desesperada de encontrar resposta para o maior enigma: a vida, a razão da sua existência, o começo, sua finalidade, o que a rodeia, tem motivado ao longo dos séculos as mais variadas dissecações, das pessoas mais proeminentes da história aos cidadãos comuns.
Destrincar este enigma supremo jamais se conseguirá, presumo, mas sendo a presunção a mãe de todos os erros, reservo o beneficio da duvida, pois também eu tenho uma esperança ténue.
Os seres humanos têm necessidade premente de acreditar em algo superior a eles próprios, que lhes dê um sentido, provavelmente o mais consistente possível da sua passagem efémera pela terra.
Para que a vida não seja um mero sonho oco e desconexo, eles criaram as suas crenças.
Começaram por prestar subserviência ilimitada a seres iguais a eles, aos quais atribuíam qualidades e poderes desmedidos, após a sua morte continuavam a prestar-lhes culto que passava de geração em geração.
Estava lançada a semente embrionária das várias religiões (igrejas) que foram surgindo ao longo do tempo.
Em busca de um sentido para a vida, da verdade, conceberam-se os maiores embustes, as maiores organizações religiosas, sexistas e lucrativas existentes no mundo.
Detentoras do maior património imobiliário logo a seguir aos próprios estados, movimentam somas de dinheiro colossais, das quais milhares de homens (essencialmente) dependem.
A história ensinou-nos que todas as religiões são tendencialmente totalitárias e violentas quando pretendem verdadeiramente atingir os seus fins.
Como exemplo:
-Cruzadas da fé (séculos VI e VII).
-Tribunal da inquisição (séculos XIII, XIV e XV).
-Descobertas e colonização (séculos XV a XX).
Matrizes civilizacionais, valores morais, preconceitos, tabus, condutas éticas, regulamentos, convenções, obstáculos comportamentais, leis ou o que lhe queira chamar, mais não são do que formas de limitar a individualidade humana, castrar, inibir, deturpar, corromper, aniquilar o pensamento vontade e ação.
Não esquecendo que inúmeros religiosos encontraram ao longo do tempo refúgio seguro nas religiões (igrejas) para a prática dos seus instintos mais mórbidos, fruto de graves desvios mentais, condenando vidas, despojando-as da sua dignidade, criando em muitos casos os futuros delinquentes e inadaptados da sociedade.
Ainda hoje, vários casos são omissos, negados ou minimizados pelas entidades visadas, quando denunciados.
Quando os cristãos começaram a disseminar-se de forma mais notória no império romano, destabilizando o poder instituído, muitos foram mortos pelos soldados, outros dilacerados pelos leões nas arenas, para gaudio da população.
Atribui-se ao imperador Nero o seguinte: matai todos os cristãos e o mundo jamais saberá que eles existiram.
O imperador não viveu tempo suficiente para concretizar o que ordenou.
Como uma raiz malévola, ou uma teia negra construída lentamente por uma aranha, a religião tapa os raios de sol, mergulhando o mundo no obscurantismo.
Ao longo do tempo fluxos migratórios têm sido uma constante em todo o planeta, raças têm-se misturado com populações indígenas, originando o que se chama de miscelinização populacional, cultural e religiosa (com menos incidência).
A existência da vida na terra tem sido uma eterna luta territorial, social, cultural, religiosa e financeira.
Curiosa a proporcionalidade da implantação religiosa e o grau cultural das populações.
Nas sociedades pobres, com uma taxa de analfabetismo e de natalidade elevada, em que a miséria ressalta em todos os setores sociais, as pessoas têm maior propensão para as crenças religiosas, o sobrenatural, o utópico, o fanatismo, no sentido inverso verifica-se nas sociedades cultas, ricas, desenvolvidas.
Quando o teólogo Charles Robert Darwin publicou em 1859 o seu estudo sobre a “origem das espécies por seleção natural” e a ”conservação das raças favorecidas na luta pela existência” provocou um escândalo.
Segundo a génese bíblica, todas as espécies foram criadas por Deus, dominava o pensamento até então.
Essencialmente ele defendia que o aparecimento das diferentes espécies se deve a alterações casuais, chamadas «modificações» que deram lugar ao surgimento de seres vivos com propriedades e caraterísticas novas.
No decurso da evolução os fortes vencem os mais fracos.
Transpondo para os seres humanos e seguido esta linha de pensamento, certamente ele defenderia que os seres humanos fossem mediante as diversas raças, umas mais belas do que outras, umas mais inteligentes do que outras, umas mais robustas do que outras e assim sucessivamente.
Continuando esta sequência lógica, lentamente as raças proeminentes ofuscariam, marginalizariam e exterminariam as mais débeis.
O filósofo Friedrich Nietzsche afirmou que ainda há muitas coisas por dizer e por pensar, mas que sem elas, o ser humano continuaria preso das convenções, sobretudo porque não se apercebe do que não conhece.
Esta linha de pensamento também pode aplicar-se ao pensador Aliester Growley, ele escreveu que todos os homens e mulheres são estrelas, faz o que quiseres, sem a interferência de convenções, da vergonha ou da moral.
No final da sua “carta dos direitos humanos”, no Líber Oz, depois de reconhecer ao individuo o direito de viver, morar e viajar para onde quiser, de pensar, dizer, escrever o que quiser, amar quem e como quiser, finaliza: o ser humano tem o direito de matar, qualquer um que tente priva-lo destes direitos.
Não admira que estes pensamentos tivessem provocado uma grande indignação na sociedade baseada em convenções burguesas e fortemente dominada pela raiz maléfica e totalitária da religião dominante.
Três vultos da história mundial, inteligências raras, únicas, superiores, predestinadas, abordaram a vida e o desempenho do ser humano no universo, com tal amplitude de liberdade de pensamento, como até então ninguém teve a perceção, capacidade e ousadia de o fazer publicamente.
Também eu gostava de ir mais além, mas não consigo, pois fui concebido com limitações mentais, físicas e temporais, com tudo o que existe.
Lembra-te que a partir do momento em que nasces, começa a contagem decrescente, com a agravante de não saberes o teu prazo de validade.
Felicidade é um conceito demasiadamente utópico, por isso vive com satisfação.
                                                                                                                           Com amizade.
                                                                                                                             José Araujo.

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