terça-feira, 24 de maio de 2016

Assim, não

Começo por reconhecer que não tenho autoridade nem mandato de quem quer que seja para vir aqui ao blog expender as minhas considerações sobre uma recente troca de posts que registei sem qualquer agrado. Por isso, devo realçar que, como sempre quando escrevo, aqui, está apenas a minha opinião, que não acarreta nenhum desígnio mais ou menos escondido. A intenção é boa e só.
Entendo que este espaço deve ser plural e pleno de liberdade. Os limites a essa liberdade devem ser apenas os que concernem ao insulto/ameaça e ao anonimato como, aliás, consta do aviso a quem deseje exprimir comentários neste blog. Fora disso, acho que não devemos coarctar-nos a torto e a direito por uma castradora auto-censura exacerbada, sob pena de todos nós virmos, a prazo, a exercermos o direito de auto-exclusão deste espaço que, insisto, deve ser de liberdade, e só perde com as amputações que, aliás, muito lamento e que desejo, se for possível, se tornem reversíveis. (Para isso, e desde já, o meu apelo sincero).
Escrever, expor ideias e opiniões sempre com medo de que alguém vislumbre nas nossas palavras segundos e terceiros sentidos, possivelmente inexistentes, não é salutar e, a páginas tantas, estamos todos a deitar fora o bebé com a água do banho.
Riscarmos do nosso panorama escrevente um estilo tão nobre quanto a ironia é um desperdício de recursos a que nenhum de nós tem direito. Gosto de o cultivar e gosto de o ver nos outros. Onde está o mal?
Por outro lado, quero sentir a liberdade de concordar ou discordar de quem me apetece, quando me apetece, e não renego a ninguém os mesmos direitos. Limitar-me na escrita só porque um ou outro dos leitores possa sentir-se visado, com ou sem razão, directa ou indirectamente, não é coisa que me exalte os sentidos. E nunca esqueçamos que um espaço de opinião não pode ser só destinado aos indiferentes que se contentam em “mandar umas bocas”, escusando-se da responsabilidade de intervir, mal ou bem, no mundo de que fazem parte. Opiniões assépticas e inofensivas, não sendo proibidas, mais não são do que chover no molhado, não atrasam nem adiantam o mundo. Por mim, declaro que desejo intervir e, mesmo quando não tenho razão, acho que mereço que me oiçam.
Depois disto tudo, não posso deixar de dizer que, às vezes, me parece que a intermediação dos computadores nas nossas “conversas” leva a que se possa dizer/escrever coisas que, em boa verdade, não diríamos olhos nos olhos. Este é o meu apelo: pense-se muito antes de publicar, aqui no blog ou noutro sítio qualquer, nas frases que escrevemos porque, se sentirmos que só as diríamos por detrás do computador e não num frente a frente pessoal, então não vale a pena tornarmo-las públicas. Para além de outras coisas feias, são falaciosas.

Um abraço abrangente a todos na Voz da Girafa.

2 comentários:

  1. Caro José Rodrigues,

    Não posso estar mais de acordo com as suas palavras. É na pluralidade de ideias e não na ofensa que podemos ver o caleidoscópio da riqueza dos indivíduos que constituem a sociedade.
    Vamos tentar manter este nosso espaço livre da poluição, aberto a todas as ideias, contraditórios, no entanto responsável, auto-limitado pelo bom senso, pelo respeito mútuo, pela educação.

    Um abraço a todos os confrades da Voz da Girafa

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  2. O Luís Robalo, como de costume, e como diz o brasileiro "falou de longe, mas falou bem". Um abraço à rapaziada e continuação de um bom e são convívio e lembrar que às vezes aparecem nuvens no céu, mas isso não impede que os dias claros se imponham.

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