sexta-feira, 6 de maio de 2016

DOS PENSADORES II

PARA UM DIÁLOGO DAS CIVILIZAÇÕES
Ainda do livro de Roger Garaudy:
As pirâmides foram edificadas em vinte anos por cem mil escravos, que também construíram diques e canais para trazer a vida, ao mesmo tempo que construíam as pirâmides para proteger o faraó contra a morte. Do ponto de vista científico estes gigantescos túmulos têm prodígio: as formas foram calculadas com tanta precisão que não se poderia introduzir uma agulha entre dois blocos de pedra. Pitágoras trouxe das suas viagens ao Egipto os princípios da geometria que nos transmitiu.
As pirâmides são também verdadeiros poemas, espantosas “tendas” de granito, imagens de um mundo construído pelo homem, acto de fé no poder humano, revelando a presença do deus. O aspecto moralizador das inscrições testemunham-no; esta, por exemplo, que figura sobre um sarcófago: “não fiz chorar, não causei sofrimento a ninguém”. Ou a que figura no “livro dos mortos”: deu pão aos famintos e água aos que tinham sede; vestiu os que estavam nus. Os justos são chamados à alegria da terra”.
A história do Egipto conhece um curioso intervalo de alguns anos cuja importância é tal que vai influenciar todas as civilizações que a seguem. O faraó Akhenaton, no sec. XIII antes da nossa era, tem alma de profeta. Inventa o monoteísmo e esforça-se por transformar a humanidade mudando a consciência que o homem tem das suas relações com o divino.Escreve um dos mais belos poemas da história humana: o Hino ao Sol.
Apareces, magnífico, no firmamento do Céu,
Disco vivo, que inaugurou a vida.
Desde que brilhes, as plantas nascem e crescem para ti.
Quando a humanidade acorda e se põe de pé
És tu que a fazes levantar-se.
Estas quantas recordações do estranho Egipto são relatadas pelos gregos e figuram na Bíblia. O Hino ao Sol é quase decalcado no salmo 104 de David. Resumindo, a visão do mundo a que chamamos ocidental data de mais de três mil anos antes da nossa era e toma forma fora da Europa, no Egipto e na Mesopotâmia.
A ruptura do Ocidente relativamente às suas fontes orientais conduz a um empobrecimento do homem, cujo contraste é brutal em relação à visão oriental do mundo, que une o amor da natureza e a piedade para com os homens, rejeitando o individualismo ilusório para tentar fundir-se com a natureza.Algures no mundo continuam a desenvolver-se culturas que implicam relações de amor com a natureza e relações entre os homens que rejeitam o individual e o totalitário em proveito do comunitário.
Apenas o Ocidente, esta pequena província da Ásia, escondida atrás do Ural e na periferia do Mediterrâneo, com o seu dualismo, o seu individualismo, o seu racionalismo unidimensional aparece como uma excepção infeliz na epopeia humana começada há três milhões de anos em África e que prosseguiu durante sessenta séculos em quase todos os continentes até que o Renascimento ocidental, pela posse de armas infinitamente mais destrutivas que as do passado, subjugue e domine o mundo, ao abafar todas as outras culturas.

                        Transcrito por Amândio G. Martins

2 comentários:

  1. Obrigado, amigo Amândio, por nos trazer aqui tão interessantes reflexões.

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar

Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças a quem quer que seja. Não serão considerados os comentários anónimos. Obrigado.