sexta-feira, 6 de maio de 2016

DOS PENSADORES

                                                    O OCIDENTE É UM ACIDENTE

No seu livro “Para um Diálogo das Civilizações” – Círculo de Leitores –Roger Garaudy começa assim: “O Ocidente é um acidente” é o axioma número um de toda a invenção do futuro. Este modo, para os ocidentais, de considerar que o indivíduo é o centro e a medida de todas as coisas, de reduzir toda a realidade ao conceito, de erigir em valores supremos a ciência e as técnicas como meio de manipular as coisas e os homens é uma excepção minúscula na epopeia humana de três milhões de anos.
O Renascimento, que não é apenas um movimento cultural, mas o nascimento conjunto da capitalismo e do colonialismo, longe de ser o apogeu do “humanismo”, destruíu civilizações superiores à ocidental nas suas relações do homem com a natureza, com a sociedade, com o divino..
Uma história verdadeira, numa história que não estivesse centrada no ocidente, seria uma história das condições perdidas pela humanidade, motivada por uma supremacia ocidental, não devida à superioridade da cultura, mas a uma utilização militar agressiva das técnicas das armas e do mar. A criação de um futuro verdadeiro exige que sejam reencontradas todas as dimensões do homem desenvolvidas nas civilizações e nas culturas não ocidentais.
O projecto esperança, para criar uma nova textura social, para inventar um novo conceito de política, exige uma nova dimensão, que partamos de uma perspectiva comunitária, não de uma delegação e alienação do poder como nas democracias representativas onde tudo vem de cima, mas de uma democracia participativa, apoiada nas iniciativas de base e suas livres associações.
Sobrevoei todos os cumes do mundo, transpus todas as portas, pude recolher-me em todos os altos lugares onde o homem deixou sinal das suas obras. Sobrevoar todos os cumes, banhar-me em todos os mares e rios, transpor todas as portas, é também um símbolo do que nos ensinam, quando ouvimos com humildade, os homens que aí vivem hoje grandes aventuras humanas que aí foram vividas e os projectos humanos que aí são sonhados para o futuro.
O que se convencionou chamar “Ocidente”nasceu na Mesopotâmia e no Egipto, ou seja, na Ásia e em África. Se encaramos o Ocidente como um estado de espírito orientado para o domínio da Natureza e dos homens, uma tal visão do mundo remonta à primeira civilização comhecida, a que viu o dia no delta do Tigre e do Eufrates, na Mesopotâmia, hoje Iraque.
O nascimento da nossa civilização encontra a sua expressão literária na “Epopeia de Gilgamesh”, mil e quinhentos anos antes da Ilíada; nos cantos desta Epopeia, escrita há quatro mil anos para o rei Assurbanipal, se descobrem todos os componentes do espírito ocidental.”
                                   Transcrito por Amândio G. Martins





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