sábado, 7 de maio de 2016

Estorinha

A Isabelinha partilhava um brinquedo com outro menino da sua laia, rico como ela, que morava além-fronteira, confortavelmente depositado numa Caixa. Escolhera este país para poder brincar em vizinhanças mais finas que as da sua meninice, lá nas Áfricas. Porém, alguns dos maus desta estorinha resolveram fazer-lhe a vida negra e começaram a dizer ao brinquedo - esta é uma fábula em que até os brinquedos falam - que a dona não era pessoa idónea e que se livrasse dela. Passou pela cabeça da Isabelinha a ideia de escaqueirar o brinquedo mas, ao ouvir um senhor que tinha dado à Costa invocar a conveniência de evitar problemas na comunidade dos brinquedos, então sentadinhos em banquinhos bem cosmetizados, e ameaçar que, caso a Isabelinha e o sócio não se entendessem, rachava salomonicamente o brinquedo e eles que se arranjassem, logo ela acedeu a alijá-lo (mais vale um pássaro na mão do que dois esborrachados no chão), tanto mais que, em compensação, lhe ofereciam um outro, menos valioso mas com que poderia Fomentar sozinha. Pena que só pudesse brincar com ele no quinteiro-país africano, muito para sul da zona nobre dos meninos-bem. Tudo parecia estar resolvido quando a Isabelinha fez uma birra e, grávida do poder e dinheiro dos Santos, cismou que queria um Brinquedo Português para Investir, dando o dito por não dito. O pai ponderou, bebeu um Eduardinho, encolheu os ombros e pecou por não lhe pespegar duas bofetadas soaristas no rabo. É o que se chama um happy-ending.

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