domingo, 22 de maio de 2016

A“IMPARCIALIDADE” DO SR. MILHAZES

“ Na Grécia e em França, importantes lutas marcam a actualidade. Governos auto-proclamados de esquerda- ou até da “esquerda radical”- estão a concretizar as políticas anti-laborais e anti-sociais do grande capital financeiro. Mas a resistência tem-se manifestado nas ruas e em greves, organizada pelo movimento sindical e organizações políticas ligadas à defesa dos interesses de quem trabalha, e não aos interesses de quem lucra.
Há que recordar as promessas- e ilusões- de mudança que acompanharam a eleição de Hollande em 2012. Era anunciada uma mudança nas orientações da União Europeia e prometido o fim das políticas de austeridade. Hoje, o governo do PS Valls procura impor nova legislação laboral à moda da troika. Desde Março que, em sucessivas jornadas de luta, centenas de milhar de franceses descem à rua em defesa das suas condições de vida e de trabalho. O estado de excepção decretado por Hollande após os atentados terroristas , tem servido de pretexto para brutais repressões policiais. Longe de uma qualquer “ solidariedade nacional para a luta contra o terrorismo”, o governo francês escolheu o momento para lançar um feroz ataque contra o seu povo. Torna-se óbvio que a ofensiva anti-social e o estado de excepção não andam desligados. Foi no fórum do grande capital em Davos que o primeiro-ministro Valls anunciou à BBC que o estado de excepção se eternizaria “ pelo tempo que fôr necessário”.
Na Grécia é o governo da esquerda radical do Syriza- tão promovido por certa esquerda europeia, como o BE, que se pendurava ao pescoço de Tsipras nos dias de glória eleitoral para depois fazer de contas que nem sabia quem fosse- que está a promover mais um feroz ataque ao martirizado povo grego. Desta vez com uma “reforma” do sistema de pensões. De proclamado opositor e resistente aos ditames da UE, o governo Tsipras tornou-se num fiel executante das políticas de austeridade da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI. Mas o governo Tsipras foi mais além, colaborando com o belicismo imperialista. Traindo décadas de solidariedade do povo grego com o martirizado povo da Palestina – que assinala na próxima semana mais um aniversário da sua catástrofe ( a Nakba) – tornou-se um aliado de Netanyahu. Depois de manobras e acordos militares em 2015, Tsipras visitou Israel e descreveu Jerusalém como a sua “capital histórica”. Mesmo a comunicação social daquele país escreveu que “ devido ao conflito israelo-palestino e a disputa sobre Jerusalém, muitos países recusam reconhecer Jerusalém como a capital de Israel” e cita um ex-diplomata de Israel. “ A declaração de Tsipras é sem precedentes, especialmente para um diplomata europeu”. (i 24 news.tv, 26.11.15).
Convém lembrar estes factos, não apenas porque são a verdade histórica, mas também para que se tire as devidas ilações. Sobre quem falou verdade e quem a ela faltou. Sobre o papel de certas forças que se proclamam de esquerda mas que, capitalizando o descontentamento popular, tornam-se executantes das políticas do grande capital, quando os seus tradicionais partidos deixam de ter condições para o fazer. Para que se compreenda o papel de gente como o ex-ministro Syriza Varoufakis que, tendo saído do governo aquando da capitulação de Tsipras, ainda encontra vontade para – tal como Obama- aconselhar os britânicos a votar a permanência nessa UE que tanto sofrimento tem infligido aos povos ( The Guardian, 5.4.16).
Há quem venda ilusões aos povos, com soluções fáceis e indolores. Mas, como o PCP tem sublinhado, sem ruptura com os ditames do grande capital financeiro e as instituições ao seu serviço – como esta União Europeia irreformável e cada vez mais agressiva e ditatorial – as promessas são apenas ilusões. Ilusões que ajudam a salvar o sistema. E que quando se transformam em traição, correm o risco de abrir caminho a realidades ainda piores. Só o caminho da luta pode abrir as vias do futuro.”

É este o texto integral onde o Sr. Milhazes se inspirou para demonstrar a sua seriedade  e a sua“imparcialidade” ideológica e política,publicada neste blogue com o título “ Outra vez o Social-Fascismo?”



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