terça-feira, 17 de maio de 2016

SAVING CAPITALISM ?

                                                   SALVAR O QUE NÃO TEM SALVAÇÃO…
Os resultados do capitalismo à rédea solta estão à vista de todo o mundo, quer na miséria que tem criado, quer na degradação ambiental, deixando a desolação por onde quer que passem os seus projectos de terra queimada  De facto, cada multimilionário custa cada vez mais miseráveis e potencia cada vez mais catástrofes ambientais.
Rana Foroohar, colunista da “Time” para os assuntos da livre empresa, acaba de publicar um livro com o título “Makers and Takers” , onde refere a desregulação que permitiu as falcatruas que levaram a economia mundial à situação actual, denunciando a distorção sistemática das regras estabelecidas pelos governos para o funcionamento do “livre mercado”.
O que leva a que uma sondagem do  “Harvard Institute of Politics” mostre que apenas 19% dos americanos com idades entre os 18 e os 29 anos se identifique com o sistema capitalista; e das pessoas idosas, já “só” 26% se consideram “capitalistas”…
Foroohar diz no seu livro, do qual a “Time” publica sete páginas de excertos, que o problema vai muito para além dos fundos escondidos em “offshore” e das distorções causadas pelas instituições financeiras consideradas “too big to fail”: “The U.S. system of market capitalism itself is broken”.
Isto porque a maior fatia do dinheiro realizado pela “corporate América”, em vez de ser reinvestido para criar emprego e revitalizar a economia, é desviado para a especulação, o que vem justificando a revolta da “main street” contra “Wall Street”.
Descrevendo “How rewrite the rules”, Rana Foroohar elenca no seu livro algumas medidas para regenerar o sistema, como mais transparência nas instituições financeiras, que não podem aparentar tal complexidade que permita  aos seus líderes tomar sem escrutínio decisões capazes de causar estragos irreparáveis; não permitir que o dinheiro devido ao fisco seja desviado para outros fins por jogadas habilidosas; os trabalhadores e o público em geral devem ter informação que lhes permita saber para onde os gestores estão a conduzir as empresas.
Criar uma estratégia que impeça  “Wall Street” e os banqueiros de recorrer a manobras fraudulentas de crescimento artificial e acabe com a cultura do dinheiro; redefinir o papel da finança, cujo correcto funcionamento é o de suporte à criação de empregos, propiciando um saudável crescimento económico e não os jogos especulativos que estão na origem dos problemas actuais.

                                      Amândio G. Martins


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