quinta-feira, 2 de junho de 2016

De amarelo vão Formosos

De amarelo vão formosos

 
Joaquim A. Moura
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Estou pálido, quase amarelo e ainda não fui capaz de escrever duas linhas sobre o que tantos já escreveram - tratados de comportamento sobre acordos de associação a colégios e outros estabelecimentos de ensino parasitas com argumentos comerciais de permeio, de mão estendida, não em jeito de peditório mas de agiotas e oportunistas, que sacam o que podem ao erário público, com crianças pelo meio ou trazidas e levadas ao colo, com idades de biberão mas já com t-shirts a reivindicar que querem continuar na sua privilegiada escola. Ora eu verifico que tais escolas privadas devem ser mesmo de excelência pois esses bebés de colo ou às cavalitas dos pais, já decoram as vestimentas festivaleiras nos desfiles, com uma idade que eu só depois dos sete anos comecei a aprender na escola da cadela e muito pública. Recordo hoje, que fiz todo o ensino desde o básico até ao essencial para ir para a fila do desemprego, sem que alguma vez o meu pai me fosse levar ou trazer à escola que distava uns quilómetros de casa. Mas isso são estórias de outros tempos em que os progenitores trabalhavam de fio a pavio e sem vagar para apaparicar os seus rebentos, como hoje estes novos pais procedem por sobra de tempo e de subsídio, que lhes chega por várias vias. Subsídios, que lhes sobra, para ainda se passearem de veículo brilhante e confortável, espaçoso, que permite ao filho no regresso a casa fazer os trabalhos escolares no banco trazeiro e ainda fazer caretas a quem passa. Neste cenário tanto infantil quanto injustificável, eu decidi fazer um ultimato ao governo que faz dos nosso dinheiro o que lhe apetece. Caso o Governo da Nação quebre ou ceda no seu propósito de levar por diante o projecto concebido de eliminar os subsídios concedidos pelos anteriores executivos com interesses em tal mamanço com muita fé e terço à mistura, e acabe por no final de toda a contestação por esbanjar verbas fundamentais à melhoria do ensino público, suprimir as falhas para que caibam todos ou devem caber, criar estímulos para que todos se sintam felizes, instalar equipamentos educativos atraentes, dar aos professores motivos de maior aplicação e dedicação, eu joaquim pim-pim com as calças de cotim, sem qualquer benefício estatal a não ser o da dor social, recuso-me a pagar todo e qualquer imposto a que estou obrigado por lei, pois não concordo que o meu dinheiro arrancado da miséria, com as mãos calosas e deformadas, vá parar aos cofres dos colégios e aos bolsos dos pais dos meninos amarelos, e dos representantes do Senhor na Terra, com amigalhaços nos partidos da cor que o sol mais evidencia, e lhes distribuíu tais privilégios, e deles tirou rendimento.
 

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