quarta-feira, 8 de junho de 2016

Os ingleses


Como eu compreendo os ingleses quando lhes passa pela cabeça sair da UE. Mesmo eles, que são “ricos” e, por isso, im(p)unes, se questionam sobre as vantagens de cá ficarem. A actual UE parece ter saído da mente brilhante de um contabilista, espartilhado pelo rigor aritmético do “deve” e do “haver”, e que, para maior desgraça, se convenceu de que um País mais não é do que uma (grande) empresa. Se assim fosse, em vez de políticos, bastar-nos-iam revisores oficiais de contas que auditassem os livros, comparassem rácios, mensurassem imparidades e aplicassem as inevitáveis sanções aos prevaricadores. A UE é o resultado de uma série de etapas, algumas delas engolidas à pressa ou atropeladas, mas o espírito inicial era diferente do de hoje. Havia memória da guerra mundial, a evitar para sempre, e pensou-se em dar boas condições de vida às populações, chegando-se à “heresia” de projectar um Estado Social. Admitiríamos concessões, designadamente pela partilha de algumas soberanias nacionais, mas ficou expressa a recusa de submissão de uns países a outros em função do tamanho ou da riqueza. Até que apareceram na cabeça da Europa uns “mangas de alpaca”, quais governantas a mandar mais do que as patroas, exibindo regras pseudo-científicas, inventadas em noites de insónia e solidão, que, por curiosidade, favorecem sempre os mais fortes. Deve ter sido assim que nasceram o Tratado Orçamental mais o déficit estrutural. Estão a imaginar o Churchill a preocupar-se com isso?

Público - 08.06.2016

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