sábado, 11 de junho de 2016


PÚBLICO SEX 10 JUN 2016


A democracia a engolir-se



Todos os que vivemos nestes 40 anos a construção da democracia, depois de termos passado um longo período em ditadura, ficamos entristecidos pela forma como a primeira se auto-engole.

Paulatinamente, nestes últimos 20 anos, com mais pujança nos mais recentes dez, tudo o que foi o percurso em democracia está a ser revertido.

Sendo evidente que os políticos e os media não aparecem de geração espontânea, logo saem do meio de nós, população, estarão a ter um forte contributo para o que está a suceder. Os primeiros por já nem saberem o que é “estar na política” ou não lhes interessar saber, os segundos, genericamente, por anularem o seu devido espaço e seguirem a agenda daqueles.

E perdeu-se a “vergonha”, pelo que a política, em vez de defender “causas”, passou a ser unicamente uma profissão ou uma via para se chegar a qualquer outro patamar.

A confusão entre a causa pública e a privada está generalizada. A forma descontraída e espontânea como se “salta” de um campo ao outro, não por “valores”, mas pelo valor do “euro”, passou a fazer parte da “normalidade” dos nossos tempos.

Abertamente se usa um caminho para chegar a outro. Só!

E tudo é público e publicitado com a maior das naturalidades, sem haver um juízo de qualidade, a ser feito por “alguém, por todos” em favor da democracia.

E “isto” passou a ser tão transversal, tão normal, tão, tão! Que se agarraram minudências para supostamente o “outro” atacar, deixado o essencial, o importante, intencionalmente esquecido.

Quando se perde a vergonha, fica muito pouco. E vale tudo, e se necessário até “arrancar olhos” para o outro deixar de ver.

E quando chegamos a este pântano, constatamos que estes anos de construção da democracia se estão a desvanecer. Claro que se dirá que são os velhos, os ultrapassados que “isto” pensam, pensamos. Se calhar.

Mas temos, hoje e em força os 3 F de Salazar: Futebol, Fátima e Fado e pode não ser bom presságio (...). Além de a liberdade de pensar diferente e assim agir, não estar a ser bem interpretada!

Augusto Küttner de Magalhães, Porto


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