sexta-feira, 15 de julho de 2016

Linhas tortas

No seu espaço habitual no JN, o deputado europeu Nuno Melo escreve. Escreve e quase sempre esforça-se por dizer alguma coisa. O destaque que aquele diário do Porto lhe concede, demonstra a generosidade da Direcção do jornal e da gente do norte. Na sua resenha, "Portugal, que maravilha", o Nuno conduz as palavras a seu gozo e táctica, e remata, com o registo que transcrevemos, de modo a emocionar o leitor que lhe concede também algum tempo de leitura - "Num simples gesto, a natureza de todo um povo. Que maravilha ser português". E isto disse ele, após ter-se servido do exemplo  de uma criança lusofrancesa, que consolou um adepto francês adulto que chorava o seu azar de por a sua selecção de futebol ter perdido a Final em Saint Denis contra a nossa Selecção, como nos foi dado a ver pela têvê, ambos os acontecimentos, e que até correram o mundo. A frase final do Nuno, essa é que não tem direito senão a ser derrotada sem direito a consolação por parte de ninguém. É que ele bem podia ter-se lembrado de nos recordar os feitos gloriosos do seu amigo político, Durão Barroso, e do seu magnânimo gesto em aceitar o lugar na Goldman Sachs, após ser rejeitado como professor(!) em Princeton nos E.U, com o mesmo despudor com que abandonou o governo de Portugal para abocanhar o lugar de presidente da Comissão Europeia, sem pestanejar e nem olhar para trás a ver o lixo que deixava para outros removerem. Por outro lado, o deputado europeu e autor em "Linhas Direitas", podia debruçar-se num têxtozinho idêntico ao agora publicado, a analisar a obra imensa do ex-ministro desertor e implicado nas guerras do Iraque e derivações criminosas desencadeadas, e ainda enquanto esteve à frente da "Comissão Bruxeleante". É que assim confirmava e até nos convencia mais facilmente de que Durão Barroso, com "tais e simples gestos e atitudes sensíveis e saltitantes, demonstrava toda a natureza e maravilha de ser português". O mundo aplaudia, saía à rua feliz a festejar com Nuno Melo à frente a empunhar a bandeira nacional- Temos a certeza disso!


1 comentário:

  1. Também 'gosto muito' de ler as alarvidades do mencionado NM, pois nunca dá ponto sem nó. Mas como já o topo de ginjeira,já não ligo quando quer 'descer' até nós. Que se lixe. Ámen.

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