quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CONSTERNAÇÃO E NEGLIGÊNCIA



Todos estamos consternados com as graves consequências dos incêndios. Nomeadamente, com a perda de vidas humanas. Todos lamentamos a destruição de bens materiais, animais, ambientais. Todos admiramos, elogiamos e agradecemos o papel dos soldados da paz e de quem os auxilia. No fundo, todos perdemos com esta calamidade. Com estes crimes, uma vez que nem todos os fogos são fruto do acaso ou das condições atmosféricas. Mas, Todos somos culpados! Alguns, muitíssimo mais que outros, evidentemente! A começar, pelos autores materiais e/ou morais dos casos de fogo-posto. Depois, o Poder Central. Os sucessivos governos (que são eleitos...). Que fizeram em matéria de organização territorial? De prevenção? Não serão eles os responsáveis pelo abandono do interior? Não foram eles que reduziram drasticamente os guardas florestais? Não foram eles que acabaram com os guarda- rios e com os cantoneiros das estradas? As matas estatais estão convenientemente limpas? E os proprietários das privadas são obrigados a limpá-las? As Autarquias, muitas delas, também não estão isentas de culpas. E o cidadão comum, nós todos, não temos culpa nenhuma? Quem é que corta as ervas secas junto da sua casa? Poucos, não é verdade? Já reparam nas bermas das estradas e caminhos deste país? Não são autênticas lixeiras? Não contribuem para a deflagração do fogo? É um rol infindável! Só mais mais esta, que não tem a ver com os incêndios, mas sim, com o nosso civismo: já repararam nos milhões de beatas que todos os dias são enterradas ou atiradas para a areia e lá ficam a conspurcar as nossas belas praias? Claro que nem todos/as têm estes lamentáveis comportamentos. Mas são muitos/as! E quantos reparam e os advertem? Muito poucos, não é verdade?
Portanto, salvo raro e honrosas exceções,todos somos culpados. Primeiro os criminosos, com ou sem aspas, e os restantes, pelo silêncio ou por conivência.
Francisco Ramalho
Corroios, 11 de Agosto de 2016


2 comentários:

  1. Como e costume uma intervenção cívica correcta no momento oportuno. O respeito pelos outros e pela natureza devia começar na escola e no lar. Nem todos têm a consciência dos deveres cívicos, que, em muitos casos, são inatos ou transmitidos pelos os que nos estão próximos. A escola devia ter nos curriculum uma disciplina de educação cívica, que nos finais do século XIX fazia parte dos programas, e que se estendeu pelo primeiro quartel do século XX. Depois, tudo se foi perdendo. É preciso ter em conta que o combate aos incêndios se faz, sobretudo, na prevenção e isso foi esquecido. Os agentes preventivos, que actuavam nas áreas das florestas, dos caminhos e das valas e rios, a que o Francisco refere e bem, foram expurgados do sistema e, nalguns casos, substituídos por elementos de instituições, que por vezes parecem mais folclóricas que úteis. Um abraço ao Francisco Ramalho, sempre atento na luta por um Portugal melhor.

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  2. Obrigado amigo Tapadinhas! Retribuo, com todo o merecimento, os elogios. Um grande abraço!

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