segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O Gesto não é tudo

O gesto não é tudo

 
Joaquim A. Moura
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São coisas como estas que fazem com que alguns de nós gostemos mais do que vem de fora do que do produto de casa. De acordo com o que foi publicitado durante os incêndios devastadores na ilha da Madeira, apareceu bem a tempo de fazer página de jornal, Cristiano Ronaldo, o craque, a prometer doar uma quantia nunca especificada, que tanto pode vir a ser uns trocos como qualquer coisa que se sinta e veja, para ajuda à ilha aonde nasceu pé rapado, e comeu o primeiro pão amargo. Logo a campanha nos media surgiu a favor deste samaritano, se ergueu e encheu de elogios. O objectivo primeiro estava lançado e alcançado. O marketing funcionou.
No entanto passados que são muitos dias quentes, a promessa da oferta caiu no arrefecimento e mais nada se soube e se disse acerca de quanto seria a verba a doar pelo craque, dono e senhor de “latas de luxo” importadas e brilhantes que ocupam aceleradamente a sua garagem/museu. Entretanto a gente continua a ler, e depara com um gesto altruísta, de atitude benemérita imensa, e que certamente não foi propalado em jeito de propaganda rasca, e ficou a saber de que a actriz Amber Heard, vai doar, e especificou quanto, 6.1 milhões de euros, com origem num acordo de divórcio com Johnny Depp.
Hoje, passado que está o tempo de brasas, e a ilha das flores que virou das cinzas, os bombeiros desesperados,  e as pessoas sofredoras e tristes, que certamente estão necessitadas de toda a ajuda, chegue ela de onde chegar mas que lhes chegue, que benefício têm tirado da promessa do jogador merengue, que veste de alguma bazófia aconselhada para manter os níveis de propaganda, se até agora tudo não passa de um gesto que pretende mostrar solidariedade com origem nos pés, e que se revela lenta ou mesmo tardia, que levanta dúvidas até? Se a promessa de Amber Heard é uma manifestação de solidariedade objectiva, pois já definiu a quem doar a verba milionária, tais como, instituições que defendem e preservam os direitos e liberdades dos cidadãos, e ainda uma metade para um hospital pediátrico, compare-se com a atitude balofa, inexistente por tão demorada de Ronaldo, e concluem, por que razão alguns de nós gostemos mais do que vem de fora, do que é nacional. Raça do caraças!
 

Comentários


3 comentários:

  1. Apoiado! Se quisesse, podia pagar os prejuízos todos dos incêndios e ainda lhe sobrava muito dinheiro. Na imagem, no marketing, ele sabe aplicá-lo.

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  2. Bem observado, a tempo e horas e num local que merecia mais destaque. Aliás eu já tinha também escrito que a promessa de ajuda do Ronaldo, um pouco indefinida, não tinha sido ainda concretizada e, como se vê, não passou, por agora, de exibição de marca. Dói ver o exibicionismo, que, por vezes, parece fallta de respeito pelos outros, especialmente pelos que sofrem.

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  3. Os filantropos deste país contam-se pelos dedos. O povo, a massa anónima, esse sim, ainda ajuda mais que tais tubarões dos milhões.

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