segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Ó meu lindo mês de Agosto

Ó meu lindo mês de Agosto, com belo luar a bater-nos no rosto, mas de tal olhar poético, muito há de trágico e patético, com sinos a tocar a rebate e sirenes a troar.
Vejamos, então, tal tenebrosa constatação:
Luciféricos Neros vagueiam impunemente a seu bel-prazer, com orgasmos de contentamento, pregando fogos – eufemisticamente chamados ignições – por tudo quanto é sítio, pondo a ferro e fogo este saqueado país.
Entretanto, gentes muito bem colocadas em postos de decisão – judicial, policial e político – vivem a canícula agostina mergulhados em deliciosas praias, hotéis com muitas estrelas e ou em paradisíacas paragens. E, nos intervalos, lançam uns ‘apelativos bitaites’ através da comunicação social, confessando com todos os sacrilégios que lhes vêm das suas negras almas, que para o ano nada de mau irá acontecer, enquanto se babam de prazer – tipo cão de Pavlov, pela negativa – pelo cíclico engano/crime lançado sobre a ensandecida sociedade à beira da loucura colectiva, que vive entre dois Portugais: o da abastança/corrupção e o da desgraça, rumo ao abismo, depois do caos.

José Amaral



2 comentários:

  1. O amigo Zé Amaral pinta-nos um quadro negro, mas realista, deste nosso tão lindo e sofrido país. E fá-lo como só as pessoas sensíveis, os poetas,que também é, o sabem fazer; com arte!

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  2. Obrigado, amigo, companheiro, camarada da palavra escrita e muito sentida.
    O mesmo abrange todos nós, que neste espaço escrevemos: amigos, companheiros, camaradas, que neste espaço sideral e terreno caminhamos, rumo à eternidade.

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