sábado, 10 de setembro de 2016

A TEMPESTADE PERFEITA



Com o Verão a dar as ultimas, é tempo de balanço em relação aos fogos florestais no martirizado território nacional, sobretudo, no continental. E o balanço é altamente negativo com prejuízos enormes para os diretamente afetados, para o ambiente, para todos nós que amamos este nosso tão belo país. Os principais fatores que para isso contribuíram são os seguintes: prevenção quase nula, a acentuada e continuada desertificação do interior, condições atmosféricas favoráveis, e julgamento benevolente dos incendiários morais e/ou materiais. Eis a tempestade perfeita!
Os guardas florestais foram quase extintos, e extintos mesmo, foram os guarda rios. A desbastação de matas não é obrigatória e a limpeza das bermas de estradas também não é feita porque acabaram os cantoneiros. Além disso, deviam existir muito mais vigias em pontos estratégicos. Entre outros fatores, o que muito tem contribuído para a desertificação do interior, é a aceitação passiva pelos sucessivos governos das regras da política agrícola comum (PAC) da União Europeia, que nos impõe quotas injustas em vez de uma discriminação positiva a nós e a outros países menos desenvolvidos membros da união, resultando, tudo isto, numa progressiva diminuição e pobreza da nossa agricultura e o consequente abandono dos campos. Depois, a leve penalização dos criminosos incendiários. E, por último, as altas e até anormais temperaturas que se fazem sentir, por vezes, em períodos até então não habituais, consequência das alterações climáticas, provocadas entre outros fatores, pelos grandes e inúmeros fogos florestais.
Francisco Ramalho
Corroios, 10 de Setembro de 2016


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