terça-feira, 4 de outubro de 2016

A democracia de Rui Sá

No artigo no JN de 26 de setembro, o eng. Rui Sá mostra ter o mesmo tipo de atitude da que ele critica, apenas de sinal contrário.Tudo o que é privado- leia-se direita - é mau e tudo que é esquerda -estatal - é bom.
É evidente que a democracia tem custos. O que não deve é proporcionar mordomias  aos políticos que por definição são servidores dos que os elegeram,tema  muito bem retratado no artigo de opinião ( JN de 23/9) de Felisbela Lopes intitulado " A cegueira das elites".
Os extremismo que defendem que tudo que é estatal é mau é igual ao daqueles que consideram que o privado é só para o lucro.
Os cortes de financiamentos ás escolas particulares e cooperativas é um sinal de uma estalinização que defende que só ao estado cabe o dever de ensinar  e quem assim não quer então que pague.
Como diz o meu professor do Instituto Cultural que frequento- o mínimo que se devia exigir a um político era a obrigação de ler " Portugal Contemporâneo de Oliveira Martins- pois era importante saberem alguma coisa sobre a história da educação em Portugal.
Certamente que haverá escolas privadas com contrato de associação  onde houve abusos; mas nem de longe nem de perto é a generalidade das situações. O ensino, em Portugal, muito deve aos particulares. Apenas como exemplo basta referir que no pós 25 de Abril só foi possível criar a rede estatal de jardins de Infância recorrendo a educadoras formadas nas escolas João de Deus ou Paula Frassineti. Só mais tarde o Estado criou as Escolas Superiores de Educação para formar educadoras de Infância.

A grande explosão da escolaridade obrigatória criada pela nossa democracia só foi possível recorrendo a estas escolas  a que Portugal muito deve.O motivo do não  financiamento deve-se essencialmente ao decréscimo demográfico e nunca por motivos económicos pois todos sabemos que a maior parte destas escolas oferecem melhores serviços e a custos mais baixos que o Ensino estatal .
Quem tem dinheiro para poder investir na educação dos filhos e vive em Lisboa ou Porto opta por escolas estrangeiras; que o diga a Srª secretária de Estado Margarida Leitão.
Ao Engº Rui Sá  aconselho a leitura de Rosário gamboa  publicado no JN “Os números da pobreza”. Conheço-a bem e garanto que não é da direita nem acha que se deva criar uma democracia a custo Zero. 


António Barbosa

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