domingo, 9 de outubro de 2016

O Nobel para um Homem de Paz

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa, quando convidado a pronunciar-se sobre o novo Nobel da Paz, Juan Manuel dos Santos Calderón, o Presidente colombiano, que sucede com juventude e calma ao grande escritor Gabriel Garcia Marquez, autor de "Cem anos de solidão", fê-lo num modo e num tom pouco entusiasta, quase desapreciador da escolha feita. É um facto de que o nosso Presidente, mais velho e tão bem nascido em berço de ouro, quanto o seu homólogo colombiano, que tem quase tantos anos de comentador quantos o presidente dos Santos viveu os 50 anos de guerrilha, que provocaram mais de 260 mil mortos, desaparecidos nas matas e nos buracos abertos a ferro de pá e fogo de fusil, e contra ela lutou para alcançar hoje o que lhe foi atribuído, nunca poderia ser um candidato a tal honroso Prémio. Mas em Oslo, na Noruega, o superior Colégio ou Comité de Sábios, que faz as escolhas, entregou o Nobel da Paz ao homem que mais fez por o merecer. Porém Marcelo não gostou lá muito, e pior ficaria se tal distinção se estendesse até às mãos de Timochenko - Rodrigo Londoño Echeverria, o guerrilheiro. Mas a interpretação de M.R.S. líder de outras guerrilhas comesinhas e ao seu estilo, é que o Prémio é dado ao Povo e não ao governante do país sacrificado e enlutado. Pois é. Mas o Povo colombiano é hoje o mesmo para Juan dos Santos Calderón, também ex-jornalista de maior relevo do que o professor luso, como já o era na véspera de ele assumir o cargo, para os presidentes que o antecederam, e que nunca foram capazes de chegar a um Acordo desta envergadura com as FARC de Timochenko -o dono da última bala e da derradeira palavra. E mesmo assim, este mesmo Povo da Colômbia chamado a votar em Referendo e falar para dizer se queria a Paz e mais justiça social, votou pelo Não. Comprova-se assim, de que o Prémio Nobel da Paz é deste Presidente actual da Colômbia e por simpatia de metade do povo colombiano, e não cai na interpretação esvaziadora que Marcelo lhe colou, ou pareceu lhe retirar mérito aos esforços feitos, que Juan Manuel dos Santos a si impôs, com muita vontade, determinação, coragem e lealdade, para acabar com a guerra e devolver a Paz e o amor ao seu Povo todo. Quer Marcelo goste muito,  pouco, ou mesmo nada!


Sem comentários:

Enviar um comentário

Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças a quem quer que seja. Não serão considerados os comentários anónimos. Obrigado.