quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Os sons do universo elegante



Os sons do Universo elegante


*Cristiane Lisita

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A teoria das cordas, na física quântica, traz uma analogia do universo com o brandir das cordas de um violão. A variedade das oscilações energéticas, que produz distintas partículas, com múltiplas massas e cargas de força, assemelha-se à diversidade das posições dos dedos pressionando, por exemplo, a mesma corda, que gera múltiplos sons. O ensinamento de Brian Greene, em O Universo elegante, nos permite compreender, além disso, a sintonia que deveria haver entre os indivíduos e a natureza e, igualmente, entre os indivíduos e os seus semelhantes.

Há uma consciência conectiva com o etéreo, uma vibração espiritual em constante mutação. Se os dedos premendo as cordas enunciam sons, certamente, há um eco a nos guiar. Quanto maiores os fluídos positivos ou negativos a se emitir, na mesma medida, e proporcionalidade, estarão em ascensão ondas de energia a movimentar pelo orbe terrestre.

O que dizer, então, dessa sociedade inserida no caos? Centenas de milhares de refugiados tentam adentrar a Europa se mostrando vítimas das atrocidades de seus países, dos crimes contra a humanidade. Esse ano mais de 5.200, no cômputo de migrantes, morreram. Quantos ainda se afogarão nas águas do Mediterrâneo? Quantos governos mais continuarão na má gestão de suas políticas para refugiados? Quanto mais sofrerão os africanos que estão na Líbia, em descontrole, e, agora, precisam escolher entre a escravidão com todo tipo de abuso, e de humilhação, ou se lançar ao mar, numa travessia quase intransponível?

Quantos campos de concentração como Auschwitz serão necessários para se lembrar das carnificinas acometidas? Quantas bombas de Hiroshima? Quantas guerras do Vietnam? Quantas usinas atômicas como a de Chernobyl? Quantos massacres como Wiriamu? Quantas vidas serão dizimadas nos tráficos de pessoas ou nos experimentos dos grandes laboratórios farmacêuticos usando cobaias humanas, sobretudo, imigrantes e minorias, cujas denúncias, prontamente, se revelam em Estocolmo? Esparrama-se o preconceito. Os neonazistas, os sectários, os radicais a marchar com os olhos cerrados.

Assim, as mãos empunham as cordas do universo elegante, vão meneando os ecos que se almeja ou que hão de ouvir. Lembrando Friedrich Nietzsche: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.


*Cristiane Lisita (escritora, jornalista, jurista)


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