quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ensaiar novos caminhos

Publico,  30 de outubro de 2016.
Um homem do teatro e do cinema, Pippo Delbono, e um homem da Igreja, Frei Bento Domingues. O primeiro não é cristão, mas está sempre a voltar á religião. Frei B.D. afirma que se ergueu um muro entre a Igreja e Estado e lembra que Santo Agostinho negou que os pagãos pudessem ser vurtuosos, negando uma existência de uma «ética natural». Claro que Frei BD não concorda com o Doutor da Igreja medieval.Sabemos hoje, modernamente, que há muitos pagãos virtuosos e muitos cristãos que não praticam a ética! 
Delbono não acredita nos milagres, mas sabe que  há milagres que existem "e que o cinema  os faz existir muitas vezes".  Considerado uma figura maior do teatro europeu, o realizador e encenador italiano é alguém de uma "determinação imparável  de uma atenção constante ao outro". Trabalhou, por exemplo, co refugiados, e é um homem que acredita que "há gente genial no mundo, e que esse génio está muitas vezes fora do mundo do teatro e do cinema".
Procura "inventar uma linguagem nova" para contar histórias extraordinárias como a de analfabetos, surdos-mudos ou refugiados, cujas experiências de vida estão na base dos seus documentários.
Frei BD pergunta se 2estaremos a construir um mundo onde haja lugar para todos, em diálogo e cooperação" e , tal como o italiano, acredita que "é preciso repensar tudo, de fio a pavio, e ensaiar outros caminhos".
"Ensaiar" : um verbo que não deve ser apenas do homem das artes. De diferentes quadrantes, sente-se a urgência de "ensaiar" outros caminhos, repensar o que fazemos já por rotina e sem sentido ou coerência.
É porque  a estratégia que temos vindo a seguir até ao presente não está a dar bons frutos.
A globalização (e a tecnologia) não está a fazer de nós mais solidários, tolerantes e menos violentos...(diz Dominique Wolton, autor de várias obras sobre os media e fundador do Instituto de Ciências da Comunicação do CNRS).Temos que pensar nisto...

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