terça-feira, 1 de novembro de 2016

NÃO CHOREIS OS MORTOS


Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras 
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.
E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.
Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.
E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.
Pedro Homem de Mello

2 comentários:

  1. Este homem, que é um grande poeta que honra a literatura portuguesa, politicamente era um cidadão de direita. Por isso, após a Revolução de Abril, desapareceu das selectas literárias do ensino oficial. Felicito a honestidade intelectual do amigo Francisco Ramalho, que sendo um homem de esquerda, tal como eu me considero, sabe valorizar a arte e o artista, independentemente de ideologias. O mundo, onde será possível viver, deve assentar na verdade e na justiça e não no oportunismo e no clientelismo.

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