terça-feira, 20 de dezembro de 2016

EUROPA / ATENTADOS / POBREZA / NATAL – A QUADRATURA DO CIRCULO

Hoje saí para dar uma volta.
Estava uma manhã gélida e solarenga, ( sem o mínimo odor a Natal, mas certamente devido às minhas deficiências olfativas ) e os pensamentos começaram a vaguear pelo ano que agora termina.
Dei comigo a pensar que o mundo em que vivemos se tornou um lugar feio para se viver; um mundo pervertido nos seus valores essenciais, escasso de humanidade, triste e arrogante. Dei comigo a ter estes pensamentos e um arrepio trespassou-me o corpo e acreditem que não era frio.
Hoje acordámos com o rescaldo de mais dois atentados que ceifaram a vida a cerca de uma dúzia de pessoas, feriram outras dezenas e deixaram um rasto de dor e medo em milhões.
Sim, eu sei que estes pensamentos são pouco natalícios mas fazer o quê, é a realidade e não tenho por hábito enfiar a cabeça na areia como a avestruz. O mundo está mesmo feio e estas épocas são propícias a este tipo de horrores, pelo que não será de estranhar se, nos próximos dias, acordarmos com mais notícias deste género .
Este Natal já tem quase tudo para ser triste… e precisamos coragem para a contrariar.
Os atentados de ontem vieram colocar mais um negro enfeite de Natal na árvore, isto, obviamente, para os que ainda têm árvore, porque para milhões de europeus, portugueses incluso, até a árvore é um luxo a que já deixaram de poder aspirar e uma afronta à dignidade que perderam, à conta das políticas infames, desumanas e cruéis de alguns dos poderosos deste mundo
Fica a pergunta…
Porquê e para quê?
Fará o Mundo sentido, sem pessoas e sem dignidade?
Fará sentido um mundo movido a interesses em que o Poder é “Deus”, mas destruído na sua essência ?
Muitos de nós até sabemos a resposta, ou parte dela, mas é tão infame que para as pessoas que ainda têm Alma e coração, custa muito a digerir.
É Natal … para milhões de pessoas Natal apenas no calendário, mas são esses os que me merecem mais respeito, porque certamente estarão bem mais próximos da verdadeira essência da época.
Para os outros cujo Natal será certamente farto em tudo, até em hipocrisia, não consigo ter “alma cristã” para lhes desejar um Feliz Natal.
Há alturas em que não consigo mesmo “dar a outra face”, e esta é uma delas.
Graça Costa

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