sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FÁTIMA LOPES

Revigorado graças ao café da Fatinha. O Oliveira pediu-me um poema futurista. O meu pensamento não pára, como diz a dra. Marina. A verdade é que ando mais comunicativo com as pessoas. E a mente sempre a trabalhar. Às vezes não se expressa em palavras. A Fátima Lopes na TV, a minha musa. São tão imbecis esses programas que fazes, Fátima. Ainda assim, quero-te. No entanto, há coisas superiores. Ando na demanda do Graal como Parsifal. Não é só o sexo que procuro na mulher mas sobretudo a luz, o olhar. Vou escrever o texto infinito. Vou fazer um pacto com Satã, o anjo maldito. Vou procurar a sabedoria ébria. Enquanto os outros dormem, eu busco. Sou de Jesus e de Satã. Vejo explosões, incêndios. Cidades tomadas. Guerrilhas. Exércitos. Vejo o caos e o apocalipse. O poeta a beber, a celebrar. O dinheiro não lhe interessa, só o poder. Eu só quero ver o poder a arder. Quero conquistar as almas, as mentes, roubá-las ao capitalismo. Quero ser o menino sábio que me impediram de ser. Sim, meteram-me fantasmas na cabeça mas Roger Waters, Jim Morrison, Nietzsche acordaram-me a tempo. Agora sou quem quero. O mais louco dos poetas. O animal de palco. Falta-me a mulher. A fêmea eterna. Penso e volto a pensar. Sem dúvida que estou a dar mais importância ao lado espiritual. Xamã urbano, como diz o Nelson Oliveira. Antes reduzia tudo ao político. Estou a caminho do super-homem, do homem íntegro e integral. Na folha de papel descarrego a minha vida. Outros já partiram: o Jaime, o Joaquim, o Carlos, o Pacheco, o Rui Costa. Eu continuo aqui. Já deixei obra mas ainda é insuficiente. O dono da confeitaria sorri. Quero escrever como William Blake, como Rimbaud, como Nietzsche. Vou do céu ao inferno, do inferno ao céu numa só tarde. O relógio. O relógio maldito! Sempre a tirania das horas! Ontem a estoirar dinheiro de bar em bar, de copo em copo, a alimentar mendigos. Hoje, aqui, quase teso. Pedro, tu não és do mercado nem da competição. Pedro, tu és da liberdade e da rebelião. Por isso estranhas este reino. Por isso bebes tanto. Não, tu não és daqui. Vens dos céus, do infinito, da ideia de Platão.

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