quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

NATAL

Tenho que vos confessar que tenho uma enorme ambivalência em relação à época natalícia, não porque não me identifique com a sua génese e não tente ter como referência do meu dia a dia os valores subjacentes ao verdadeiro espírito da época, mas porque cada vez tenho menos paciência para a hipocrisia reinante durante esta período – felizmente é curto, dura mais ou menos duas a 3 semanas, mas mesmo assim é suficientemente longo para me provocar uma urticária emocional profundamente irritante.
Estou cansada de, nesse período, assistir qual milagre da multiplicação dos pães a uma verdadeira pandemia de bipolaridade fraterna, onde toda a gente “lava a alma dos seus pecados” com falsos protocolos de boa convivência, mensagens, prendinhas e quejandos.
Durante esta trégua cínica podemos assistir a malabarismos dignos do Cirque du Soleil e muitos que durante onze meses e picos se ignoraram, se maltrataram, se atraiçoaram e outras coisas terminadas em “aram” que agora não me apetece dizer, aparecem agora vestidos de uma magnânima bondade e compaixão, tentando com esse gesto apagar tudo o que fizeram antes e vão voltar a fazer depois das festividades.
Nem sempre fui assim, mas aquilo a que alguns hoje chamam ser “bicho do mato” ou “convencimento”, eu atrevo-me a chamar maturidade e honestidade pessoal. Recuso-me a fazer de conta que gosto de quem não gosto; não faço fretes nem favores e muito menos me exponho ao ridículo de fazer o “socialmente correto” só para manter o “falso figurino do respeito e consideração”.
Durante muito tempo desejei, de coração Boas Festas personalizadas a inúmeras pessoas e fui percebendo que me devolviam o gesto mais por “obrigação” do que por “devoção”, como diz o povo. Um ano fiz a experiência…não mandei a quase ninguém e tchanan…o meu telefone teve umas férias de paz e sossego que não esperava.
Aprendi a lição, preciosa, ainda que em certos casos dolorosa e tomei algumas decisões. Se o Natal é Amor e para mim é mesmo isso, não precisa de grande expressões exteriores e/ ou públicas. Quem me ama verdadeiramente não precisa do Natal para mo fazer sentir, nem vice versa e essa convicção foi fundamental para começar a distinguir o trigo do joio.
O Natal, o verdadeiro Natal é a “Presença”, não o “Presente” e a presença de que falo não é necessariamente a presença física – podemos estar longe fisicamente e muito perto nos afectos e na forma como nos damos aos outros – isso sente-se, não se vende nem se compra. Por isso o meu Natal é nos dias de hoje aparentemente mais pequeno, porque tem menos gente, mas é incomensuravelmente mais rico por que é, sem sombra de dúvida, mais verdadeiro.
Boas Festas e sejam felizes...
Graça

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