sábado, 10 de dezembro de 2016

O MAIO DE 68 E AS "VERDADES" CAPITALISTAS

O senso comum capitalista, nomeadamente o de origem norte-americana, impôs uma série de "verdades":
- É impossível que as pessoas governem a sua própria vida.
- As pessoas querem apenas ter poder e privilégios umas sobre as outras. Nesse sentido, para Fredy Perlman, os estudantes estudam apenas com o objectivo de obter boas notas, já que com boas notas podem alcançar empregos bem remunerados, o que representa "a capacidade de dirigirem e manipularem outras pessoas", bem como a capacidade de consumirem mais bens do que os outros. A aprendizagem por si só é desprezada.
- Todos parecem satisfeitos e os que não estão podem expressar-se através do voto ou do consumo.
- Mesmo que alguns tentem mudar a situação, a união é impossível. Os revoltosos iriam lutar entre si.
- Ainda que se unissem, seria impossível destruir o Estado e o aparelho policial e militar dos EUA.
A revolução de Maio de 68 desmente estas teses. Os estudantes começaram a gerir as suas universidades. Não para terem melhores notas, pois acabaram com os testes. Não para terem altos salários mas para discutir a abolição dos empregos privilegiados e com salários elevados. Discutia-se o fim de uma sociedade alienante e escravizadora. Os trabalhadores deixaram de respeitar a "lei e a ordem", ocupando fábricas e percebendo que "os polícias existem para garantir que as fábricas continuem a "pertencer" aos proprietários capitalistas". Estudantes e trabalhadores compreenderam que a "lei e a ordem" deve ser destruída para que a nova sociedade, autónoma, anarquista, seja edificada.

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