sábado, 24 de dezembro de 2016

Pedido ao Pai Natal



Olá Pai Natal

Este ano, além do habitual pedido, envio-te o conto "Divisão da felicidade" que recebi por e-mail e que gostava que o juntasses a cada prenda que vais distribuir, para mim inclusive pois será sinal que gostaste. E com isto, até já me esquecia de fazer o meu pedido, que para não variar, é o mesmo de sempre: continuares a dar-me saúde e Amigos como tens feito. Já agora, aproveito para te pedir que dês de prenda aos poderosos do mundo, muito bom senso pois pelo que tenho visto, estão muito carentes disso e de amor. Não te prendo mais pois tens muitos a quem atender, mas não te esqueças de continuares a dividir a felicidade para que ela se multiplique. 
Jorge Morais 


" Dois homens, muito doentes, dividiam o mesmo quarto num hospital. Um deles podia ficar sentado na sua cama todas as tardes. A sua cama ficava ao lado da única janela do quarto. O outro passava os dias deitado. Todos os dias o homem que podia sentar-se, ficava ao lado da janela e contava ao seu companheiro de quarto tudo o que via. O companheiro esperava, todos os dias, ansioso por esse momento. A janela tinha vista para um jardim muito bonito e um lago de cisnes. Crianças brincavam com os seus barquinhos de papel. É uma linda paisagem que vemos daqui. O paciente ao lado da janela descrevia tudo com riqueza de detalhes, e o homem ao seu lado imaginava essas cenas. Passados alguns dias, numa manhã quando a enfermeira chegou ao quarto, descobriu que o paciente ao lado da janela havia morrido naquela noite. Então o outro paciente pediu para que o colocassem na cama ao lado da janela. A enfermeira mudou ele de lugar e o deixou só. Com muita dificuldade, ele apoiou os cotovelos e se ergueu para olhar pela janela. Mas tudo que viu foi uma parede branca. Então chamou a enfermeira e perguntou: Como o meu colega via aquelas cenas tão lindas que me descrevia? A enfermeira lhe contou que o paciente era cego e não podia ver nem a parede que ali estava. Talvez quisesse apenas te animar. Não há felicidade maior do que fazer o outro feliz, sem se importar com os nossos problemas. Porque a felicidade quando se divide, se multiplica."


Publicada no Jornal PÚBLICO em 24.12.2016

2 comentários:

  1. A história é muito bonita, que mais ou menos já conhecia, porque nos ensina a ajudar o outro, nosso irmão, mesmo que tenhamos de inventar espaços idílicos, que embora caminhando na "mentira" não prejudicam ninguém. Se cada um ajudasse o outro a ser feliz, todos seríamos felizes. Só que esse mundo, só existe nos contos de Natal. Mais uma vez, Parabéns, ao Jorge Morais, pela oportunidade.

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    1. Na verdade, recebi o conto há uns tempos e guardei-o para publicar no blogue nesta data sem mais nada. Depois, lembrei-me de enviá-lo para a imprensa acrescido do pedido ao Pai Natal. Esta é a parte utópica da carta pois o conto, até podia ter acontecido. Aliás, a cada passo, tomamos conhecimento de histórias reais semelhantes. Obrigado pelos parabéns.

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