quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

SÓ QUERO VER O PODER A ARDER

"Oh, que vamos ter um dia alegre,
a beber whisky, cerveja e vinho,
por ocasião da Coroação!
Oh, que dia alegre que vamos ter
a beber whisky, cerveja e vinho!"
(James Joyce, "Ulisses")
Na "Confeitaria da Casa" a ler o "Ulisses" de James Joyce. Estava perdido lá por casa. Vou falando com mais gente aqui em Vilar do Pinheiro. Ainda assim não cheguei ao "dia alegre a beber whisky, cerveja e vinho". Refugio-me na leitura e na escrita. No momento presente estou bloqueado. Preciso de uma cerveja. De qualquer modo, o mundo é meu. Combato demónios e fantasmas interiores. Busco o sublime enquanto as velhas falam de doenças. A Ana traz a cerveja. A espuma. O gás. O Santo Graal. Já poucos cavaleiros há como eu. Vimos de Artur, de Camelot, da Távola Redonda. São tão comezinhas as vossas preocupações. O "bluff" do outro. O vendilhão. Só pensa em dinheiro, no jogo. Bom, ao menos reconhece-me como poeta. No entanto, esta gente encaixou no sistema. Não quer aprender, crescer. Parou no tempo do negócio, do capitalismo. Não tem noção do novo tempo que aí vem. Da terra da paz, da sabedoria e da abundância. Com Jesus, com Bakunine, com Che Guevara. Claro que será preciso passar pelo caos. Já estamos a passar pelo caos. Guerras, terrorismo, rapina capitalista, atropelo e corrida pela sobrevivência, pela carreira, pelo lugar, alterações climáticas, grandes desastres naturais. Claro que canto o apocalipse. Claro que canto o vinho, a cerveja e o whisky. Odeio os castradores e os controleiros. Amo a Vida. Tenho poderes. Sou dionisíaco. Amo a Fêmea Eterna. Bebo à tua, William Blake. Bebo à tua, Rimbaud. Sou, talvez, o último dos poetas negros. Ah, como desejo as mulheres belas. Como desejo tê-las. Sou filho de Satã. Bebo à liberdade absoluta. Vivo a noite e o dia. Provoco, incendeio. Não gosto de dinheiro. Só quero ver o poder a arder.

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