quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Quando a relação amorosa se esgota

Foi por mero acaso que li a última crónica de José Vítor Malheiros (JVM)na quarta feira, dia 4, justamente 16 anos depois do jornalista e colunista ter escrito a sua primeira no Público (os riscos da Internet para a privacidade).
Não fico indiferente a esta saída. Não só porque José Vítor Malheiros foi um dos nove fundadores deste jornal de referência, mas, sobretudo, porque é o autor do prefácio da obra Os Leitores Também Escrevem (2013 e 2014), inédita em Portugal, e que consiste numa coletânea de cartas de doze leitores publicadas nos jornais nacionais (como o PÚBLICO), e onde eu me incluo.
A sua carta de despedida aos leitores do PÚBLICO ("a razão de ser dos meus textos e cuja presença foi para mim tão gratificante") toca-me, especialmente, numa altura em que fui avaliada no meu desempenho de professora.
Todos nos identificamos com JVM , se amamos o que fazemos. Sublinho , literalmente,  as ideias seguintes, já que dizem respeito a cada trabalhador  e nas mais diversas atividades profissionais: a relação que mantemos com a nossa atividade é uma relação amorosa, sentimental. "Uma atividade profissional é (...) uma identidade. Diz quem somos. (...) Somos o que fazemos"  [lá diziam também Aristóteles, Galeano e o Padre António Vieira], "onde canalizamos muito do melhor de que somos capazes."
É uma perda e uma pena quando se quebra ou esgota essa relação amorosa que temos com a organização onde trabalhamos , pois "não é apenas o local onde passamos umas horas [muitas] todos os dias, mas o projeto ao qual dedicamos anos de trabalho (...)".
Como o entendemos, JVM...

3 comentários:

  1. As relações de amizade e consideração começaram a não fazer parte do tempero social. Daí, a mágoa de José Victor Malheiro, ao deixar o jornal que ajudou a prestigiar. O mundo actual já é um mundo cão, animal amigo do homem, mas um mundo lobo, que o ataca e consome.Também li o último artigo de JVM, que, na verdade, me sensibilizou. Um grande abraço lusitano para toda esta gente que se esforça, contra a corrente, para construir um mundo melhor.

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  2. Também eu lamento a partida de JVM. E lembro-me (por causa do dito livro)como a diversidade de opiniões é curiosa ( e saudável) pois recordo um "leitor-escritor" que não quis participar no livro precisamente porque o prefaciador era o JVM...

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  3. Fernando, também me lembrei disso mesmo...

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