quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

YES WE DID

No seu emocionado discurso de despedida Barack Obama partilhou com os americanos e com o mundo o seu balanço pessoal dos 8 anos na Casa Branca.
Foi um discurso agradável de seguir, aparentemente, mas só aparentemente sem grande substância em termos estritamente políticos, porque não deixou de referir os seus grandes receios em relação ao futuro.
Fez um apelo à cidadania participativa e em defesa da democracia, com uma enorme profundidade em termos humanos, marca distintiva deste afro americano que foi presidente da chamada nação mais poderosa do mundo durante 8 anos e que ousou sonhar e fazer-nos sonhar - "Yes we can " - que, entre outras coisas, as questões raciais se iriam suavizar depois da sua histórica eleição.
Não foi verdade e ele assumiu-o... - “Depois da minha eleição, falava-se numa América pós-racial. Tal visão, ainda que bem-intencionada, nunca foi realista”, confessou. “A raça continua a ser uma força potente e que divide a nossa sociedade”
Barack Obama tem 55 anos, apenas mais dois que eu e, espero uma vida longa pela frente.
Espero sinceramente que não siga a tradição dos ex-presidentes americanos de se remeter ao silêncio, porque o seu país e o mundo precisam de homens na linha da frente com a dimensão humana dele.
Pode ter passado despercebido a muitos , mas a mim não, a forma como se referiu às suas duas filhas - "You are smart and you are beautiful, but more importantly you are kind." ( vocês são inteligentes, bonitas, mas mais importante de tudo, são bondosas / generosas / amáveis ). Isto não é bonito...é relevante.
Barack Obama ficará ainda para a história por ter sido o presidente que menos contribuiu para a imprensa cor-de-rosa - simples, afável, sem escândalos nem esqueletos no armário... um tédio para os "papparazi" sensacionalistas.
Tenho a sorte de ter sido contemporânea deste homem e sinto, sinceramente que o mundo vai sentir a sua falta, apesar de muito do que ele se propôs ter ficado por fazer.
O seu " Yes we can" fica para a história como um "statement"; o renascer do sonho americano que passou fronteiras; o seu "Yes we did" de ontem, como a tentativa de enraizar a semente da esperança que ele plantou.
O futuro segue dentro de momentos. Adivinha-se tenso e eu confesso que tenho algum receio do que aí vem.

Graça Costa

6 comentários:

  1. Vou escrever também sobre o legado de Obama. Desta vez só concordo com a Graça, em como ele é, pelo menos aparentemente, uma pessoa simpática e bem educada. Mas liderou o país que é o grande e primeiro responsável pelo estado calamitoso a que este mundo chegou. Refiro-me às guerras ( todas têm a chancela dos EUA) e do horroroso cortejo de desgraças a elas associado. Inclusive, fomentaram, as guerras, nomeadamente a do Iraque, organizações fanáticas e assassinas com o auto-denominado Estado Islâmico. Também concordo que o Trump ainda poderá ser muito pior. Obama, tem e teve a sensatez de não carregar no botão nuclear. Trump, pode não ter, e será o Apocalipse.
    Mas, evidentemente, respeito a opinião da Graça que é uma pessoa boa e bem intencionada.

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  2. Muito obrigada pelo seu contributo . a sua opinião é a mesma do meu filho mais velho e provavelmente terá razão. A política externa norte americana e a sua economia de guerra são uma realidade com repercussões nefastas por esse mundo fora e convem não nos esquecermos disso. Não fiz essa avaliação até porque me limitei a "ler" o discuro de ontem, mas tem razao. Mais uma vez obrigada pelo contributo.

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  3. Mas já agora, Graça, para ser justo, devo também dizer que Obama deixou algumas coisas positivas: o acordo com o Irão, a abertura a Cuba e o Obama Care. Trump, além de muito receio, é uma grande incógnita.O mundo tem que estar de olho nele. A começar lá, nos EUA.

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  4. Sim, também concordo consigo e a fazer fé o pequeno exemplo da conferência de imprensa de ontem do senhor Trump, acho mesmo que temos todos razões para estar preocupados e lá ainda mais. Pode ser que o congresso, o senado e as forças que realmente mandam nos EUA o ponham na linha, mas , "again" nem sei se isso é bom. Como dzia o outro " isto é que vai aqui uma açorda". Um bom dia para si.

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  5. Sim, também concordo consigo e a fazer fé o pequeno exemplo da conferência de imprensa de ontem do senhor Trump, acho mesmo que temos todos razões para estar preocupados e lá ainda mais. Pode ser que o congresso, o senado e as forças que realmente mandam nos EUA o ponham na linha, mas , "again" nem sei se isso é bom. Como dzia o outro " isto é que vai aqui uma açorda". Um bom dia para si.

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