quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A pobreza jamais é uma fatalidade

Recordemo-nos: Durante a anterior legislatura foi-nos dito: « é preciso empobrecer o país
para o tornar mais competitivo», afirmou Passos Coelho, 1º ministro do executivo antecedente.
O maior drama, de parte significativa dos portugueses, é a pobreza, atingindo elevada expressão, na negação inalienável de cada ser a ter uma vida com dignidade. Ninguém será pobre, tendo acesso à Saúde, ao Pão, à Habitação e à Educação - valências plasmadas na Constituição da República Portuguesa. Então, cumpra-se a Lei!
Dizem vozes, (também) interessadas em perpetuar a pobreza (mão-de-obra dócil e mal paga),
que Portugal é pobre. Não é pobre!, está empobrecido com quase 3 milhões de desvalidos.
Portugal possui uma orla costeira de mais de 1 000 quilómetros. Temos hectares de chão arável e fértil a perder de vista à espera de ser fabricado. O nosso clima soalheiro daria para um maior potencial de produção de energia solar e energia eólica produzida pelo vento. Somos trabalhadores dedicados, veja-se o que fazem os têxteis,o calçado, a alimentação e por aí fora…
Os pobres não têm um partido político forte e empenhado que os ajudem a lutar para sair duma vivência com carências várias. São só notícia de telejornal para gritarem na rua aquando de algum acidente, de preferência com sangue. O empobrecimento espiritual e cultural é também causa do empobrecimento material.
Portugal entristece pela ausência de nobreza dos sucessivos governos que não querem e não têm vontade política para combater este flagelo social. O sistema está exausto e falido. A
II República tem andado, maioritariamente, nas mãos de gente de baixa índole, de deficientes
morais, com resultados bem visíveis. (Registe-se, finalmente após 41 anos de sucessivos
desgovernos, o actual Governo propõe-se a colocar um interruptor ao fundo do túnel…).

O nosso país, dos mais desiguais socialmente na Europa, apresenta uma das maiores densidades de problemas sociais e de saúde, sobretudo saúde mental. A Saúde Pública (SNS), tem que ser defendida e protegida face à apropriação dos interesses privados lucrativos, que põem em causa
a generalização do bem comum.
A pobreza e a exclusão social geram violências porque reclamam direitos às oportunidades que outros tiveram e aquelas condições, não. Mais de 20% dos pobres são trabalhadores que não conseguem responder aos encargos para terem e darem à família subsistência digna. O trabalho equitativamente remunerado traz dignidade, sentimento de  utilidade e legitimidade de justiça contratual. As gravíssimas assimetrias, desta sociedade capitalista sem freio, conduzem massas de populações para o desespero e para a rua… Os sem-abrigo ou sem-amor, muitas vezes obnubilados, entram num processo de autodestruição, onde é necessário haver redes de segurança que os impeçam e os protejam. Estes paupérrimos revelam sentimentos de auto-culpabilização.
O Estado dispõe de milhares de  milhões de  euros para pagar juros do serviço da dívida
(contraída para salvar, maioritariamente, falências fraudulentas da banca, ainda sem punição),
mas não sobra para colocar de pé um serviço social que tire esta gente da rua, lhes dê formação
e erradique a pobreza de vez!, também para erigir uma democracia de corpo e alma fraternalmente solidária!

                                               artigo de opinião de Vítor Colaço Santos



     

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