terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A propósito do dia de São Valentim - INSÓNIAS, AMOR E TABEFES




Não sou muito muito dada a dormir.
Deito-me cedo, durmo pouco e sobram-me horas na noite.
Infelizmente ou talvez não, não consigo desligar o cérebro , e dedico por isso algum tempo a fazer o filme do dia que terminou e a preparar-me para o que começa.
Esta noite, quando o mundo se preparava para propagação viral de Amor de plástico, durante 24 horas, algumas coisas me passaram pela cabeça.
Não gosto, não “pratico” a celebração do Dia dos Namorados e esta noite enquanto dava voltas e mais voltas à procura do sono que teimava em não vir, veio-me à cabeça uma coisa que em tempos li no mural do meu filho e que dizia basicamente isto :
Já que perdemos a habilidade de Amar, tudo o que é vivo, animais e plantas, ventos e marés, inventamos um dia do amor. Dias de amor são todos os dias, não todos os dias 14 de Fevereiro. Amor é dar sem pensar sequer no receber, é amar incondicionalmente, não é comprar ou consumir bombons e perfumes. Quem não sente é como quem não vê.
Paralelamente passaram-me na cabeça algumas coisas que foram noticia ontem, nomeadamente a questão da violência no namoro em Portugal e de novo a questão da violência doméstica na Rússia e nestas matérias os factos dizem assim:
Em Portugal um em quatro namoros entre jovens envolve episódios de violência, física, psicológica ou ambas.
Em 2016 foram apresentadas cerca de 2100 queixas nas autoridades, mas curiosamente e apesar de ser, no nosso país, um crime publico, a sociedade e civil e algumas instituições que lidam de perto com esses casos ( nomeadamente as escolas ), geralmente assobiam para o lado e fingem não ver. Entretanto o fenómeno cresce diariamente e começa a ser muito preocupante atingindo rapazes e raparigas.
Já em relação à ironicamente apelidada lei do tabefe na Rússia e à sua legitimação social, ouvi ontem, ente o incrédulo e o nojo, o bispo da Igreja Ortodoxa na Rússia a dizer que a violência domestica é uma “coisa do Ocidente”.
Num país onde o ano passado morreram mais de 14 mil mulheres vitimas de violência domestica, qualquer coisa como uma a cada 40 minutos, ouvir uma coisa destas só pode causar perplexidade, mas enfim, o que é que eu sei .
Juntando isto tudo com a apropriação comercial do dia de um santo cuja história nada tem a ver com o que fizeram dela, dá-me que pensar.
Sou uma desmancha prazeres, eu sei, mas só lê quem quer.
Graça Costa

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