quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

OS AÇORES MERECEM



Neste tempo de globalização, em que a mesma,se guia pela bitola do mais forte, o que nada dignifica os que se submetem, (atente-se na moda, na musica e até na gastronomia, apesar de termos uma das mais ricas e saborosas do mundo) defender-se , divulgar-se, o que é nosso, não só nos traz proveitos, como é digno e patriótico.
Vem isto, a propósito do soberbo trabalho que a “Ronda dos Quatros Caminhos” acabou de gravar nos Açores, com a colaboração de bandas filarmónicas e diversos outros artistas locais, com o título genérico “ Sopas do Espírito Santo”, todo baseado no riquíssimo cancioneiro das ilhas de bruma, em que a saudade é tema central. Saudade, dos muitos milhares que desde séculos, dali saem em demanda de uma vida melhor, e até por aventura ou necessidade de liberdade perante o sufoco do isolamento natural.

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
Mai la manga da camisa
E dizem que não chorei

A ausência tem uma filha, tem uma filha
Que se chama saudade
Eu sustento mãe e filha, ai mãe e filha
Bem contra a minha vontade

Aliás, a “Ronda dos Quatro Caminhos”, tal como, por exemplo, a “Brigada Vítor Jara” já nos habituaram a estas pérolas que divulgam e preservam as nossas tradições, a nossa cultura, a nossa alma lusa.
Um enorme aplauso a todos os nossos artistas que o fazem!

Francisco Ramalho

Corroios, 15 de Fevereiro de 2017  

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