quarta-feira, 8 de março de 2017

Alma fatigada


Arrasto pelas ruas minha nudez esfarrapada,
andrajosa...
Por ruas e vielas na mais nojenta vista.
Virulentas feridas de fétido cheiro...

De onde venho, que não lembro?
Quem fui eu também esqueci!

...apenas calco a soleira dum casebre
em busca de alguma coisa que acalme a fome que me esgana
e logo uma voz rude e austera me escorraça
e como a um cão faminto se dirige...

Meu Deus, meu Deus, que me abandonaste.
Acaso não sou uma das tuas criaturas?

E volto de novo à rua rastejando,
já não tenho forças para caminhar.
Percorro a duras penas as vielas
que me levam para fora do lugar.

E eis-me num ermo,
no meio de nada,
sem cor, sem ar e sem cheiro...

...a pouco e pouco se apagam as imagens
dos meus olhos,
do meu cérebro...
Sinto o chão molhado, lamacento
estou caída no chão...

Meu Deus dá-me a caridade
de apagar a dor
desta minha alma fatigada...

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