domingo, 5 de março de 2017

Antes e depois.

Após um longo periodo de acalmia, estabilidade e consolidação do regime presidido por Antonio Oliveira Salazar, entra-se na década de sessenta do seculo vinte, o pronuncio do fim.
Publicas virtudes, vícios privados é um lema que todos procuram manter, mas as mentalidades dão sinais de mudança, num país com elevadas taxas de pobreza e analfabetismo, a maior parte da população não tem acesso aos meios de comunicação social, sendo estes condicionados pelo governo.
De qualquer forma alguns acontecimentos não passam despercebidos:
-O sequestro do navio de passageiros portugues "Santa Maria", (22/1/1961).
-O inicio da guerra colonial, (Angola, 4/2/1961).
-A União indiana invade e anexa a India portuguesa, (Goa, Damão e Diu,
 (12/1961).
-O assalto ao quartel de Beja, (31/12/1961).
-O assassinato do presidente americano John Fitzgerald Kennedy, (22/11/1963).
-Inauguração do aeroporto de Faro, (11/7/1965).
-Inauguração da ponte Salazar, (Almada, Lisboa, (6/8/1966).
-Visita do papa Paulo VI a Portugal, (13/5/1967).
-Primeira viagem tripulada à Lua, (1969).
-A contestação ao regime aumenta no meio universitário, curiosamente frequentado maioritariamente pelos filhos da sociedade rica que o apoia.
-Em 27/7/1970 morre Antonio Oliveira Salazar, só a morte o venceu, o patriarca Manuel Gonçalves Cerejeira, dirigente da igreja católica portuguesa e incondicional adepto do regime resigna (10/5/1971), o regime fica órfão dos seus maiores guardiões, estremece, agoniza, vislumbra-se o fim.
-É publicada a obra "cartas portuguesas" da autoria de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, (4/1972),
uma pedrada no charco no panorama social e cultural portugues.
-A instabilidade militar aumenta, a oposição à guerra colonial ganha maior acutilancia a seguir à publicação do livro "Portugal e o futuro" da autoria do general Antonio de Spínola (23/3/1973).
-25 de abril de 1974.
Revolução ou golpe de estado, como queira, para alegria de uns e tristeza de outros, altera substancialmente a sociedade portuguesa.  As alterações legislativas, mentais e comportamentais são notórias, por vezes drásticas, tudo é discutido, questionado, sintomático dos novos tempos é o numero de divórcios nos dois anos seguintes, o mais alto até à atualidade, um espelho da moral podre de outrora.
A mudança do regime ditatorial para democrático provocou mudanças significativas nas décadas seguintes.
Eis algumas das mais marcantes:
-As independencias das colonias originam o regresso de centenas de milhares de portugueses, pondo fim a cerca de quinhentos anos de colonialismo, uma das paginas mais sanguinárias e execráveis da historia, (1974 a 1976).
-O desemprego aumenta vertiginosamente.
-O consumo de estupefacientes dissemina-se em todas as classes sociais.
-É estipulado o salário mínimo nacional.
-Os setores industrial e agrícola são seriamente afetados com as novas opções governativas, a capacidade produtiva diminui drasticamente.
-Em 25/11/1975 o tenente coronel Antonio Ramalho Eanes chefia um movimento militar, repõe a estabilidade governativa e inicia-se a consolidação democrática.
-Entra em vigor a constituição da republica portuguesa da era democrática, considerada na época uma das mais avançadas do mundo no setor social, (25/4/1976).
-Finalmente as mulheres adquirem direitos iguais aos homens, entram no ultimo reduto predominantemente masculino, a politica.
-Na televisão é exibido o filme "angustia para o jantar", baseado na obra do escritor Luis Sttau Monteiro, em que pela primeira vez aparece o nu integral (1975).
-No cinema o filme "o ultimo tango em Paris", bate recorde de bilheteira em Portugal.
-É criado o serviço nacional de saúde (1979).
-É aumentada a escolaridade mínima obrigatoria.
-A republica portuguesa entra na comunidade económica europeia (c.e.e.,1986).
-Concluída e aberta ao transito a autoestrada do norte (Lisboa Porto A1, 1991).
-Concluída e aberta ao transito a autoestrada do sul (Lisboa Albufeira A2, 2002).
-Fim de um dos maiores símbolos da soberania nacional (escudo, 2002), a moeda portuguesa é substituída pela moeda euro.
-É aprovado, promulgado e publicado no diário da republica portuguesa o acordo ortográfico de 1990 (21/7/2008).
-Aprovada a despenalização da interrupção voluntaria da gravidez (2007).
-Torna-se obrigatoria a aprendizagem da língua inglesa nos primeiros anos de ensino.
-Aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
-O pais definha ,assiste-se à destruição do aparelho produtivo, empresas e marcas que foram o orgulho nacional, vão à falencia ou são compradas por estrangeiros, a agricultura e as pescas tornam-se insignificantes, a balança de transações comerciais é sistematicamente deficitária, a inflação aumenta, o défice é cronicamente elevado, a divida nacional aumenta exponencialmente, acontece novamente o descalabro das finanças publicas, sendo necessário recorrer mais uma vez às instituições internacionais, contratualizando empréstimos financeiros avultadíssimos para salvar o país da bancarrota, hipotecando a soberania nacional e aumentando substancialmente os impostos.
A conflitualidade social é latente, assim como a instabilidade governativa, dificilmente e muito raramente os governos cumprem as legislaturas integralmente.
A cultura de exigencia e qualidade dá lugar ao laxismo e conveniencia.
O ilícito e a imoralidade generaliza-se, a criminalidade aumenta, fruto de uma legislação benevolente, permissiva e de uma justiça em todos os setores corrompida.
O ensino degrada-se a todos os níveis, a má preparação dos futuros profissionais nas diversas áreas de atividade reflete-se em todos os setores.
Nos cuidados de saúde, somos um dos países que ocupa os lugares cimeiros no numero de óbitos nos hospitais devido a erros e negligencias medicas, essencialmente no setor publico.
Os projetos de arquitetura e engenharia contem tal quantidade de erros que atrasam e encarecem as construções mais do que previsto e adjudicado, com a agravante de se utilizarem matérias primas de qualidade duvidosa, reduzindo a segurança e durabilidade.
Cerca de quatro décadas depois da implantação do regime democrático, vive-se mais e melhor indiscutivelmente, devido fundamentalmente aos avanços da medicina, aumento da qualidade de vida, maior poder financeiro das pessoas e maior proteção social do estado.
Esta situação assenta numa base periclitante, não sustentada, tem sido assim no passado, e continuará previsivelmente.
Este panorama recorrente será um defeito congénito da raça?
Talvez.
Wilson Churchill, famoso estadista ingles do seculo vinte, afirmou:
Há quem mude de carater pelo partido e há quem mude de partido por interesse pessoal.
Forma mais simples e paradigmática de descrever a essencia dos seres humanos possivelmente não existe.

                                   Com amizade.

                                      Araujo.

1 comentário:

  1. Grato pela sinopse. Por que me diz respeito quanto à profissão ( e não só), lamento que haja somente três referências ao campo da Saúde: a data da criação do SNS, a "nota negativa" sobre as mortes nos hospitais públicos devido a erro médico e, finalmente, uma genérica nota sobre "os avanços da Medicina".
    Quanto às primeira e última notas, não é possível refutá-las, são factos. Quanto à qualidade da medicina portuguesa, mormente no sector público, só de quem não acompanha as coisas por dentro é que pode vir tamanha omissão! É que uma imensa melhoria não é opinião subjectiva mas está expressa em números em todos os lugares.Ou o José "nunca ouviu sequer falar" da taxa de mortalidade infantil ter sido ( e ainda é) das melhores do mundo? E o próprio SNS, como um todo, ser o (creio) 11º melhor do mundo?
    Só mais uma nota, esta minha e bem diferente: o que é isso, no contexto em que insere a palavra, de... raça?!...

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