quarta-feira, 8 de março de 2017

CLARIFICAÇÃO POLÍTICA, SEM CRISPAÇÃO!


Os media, na sua ânsia de arranjarem assunto que aumente as vendas, andam a
matraquear numa crispação política, entre os partidos da maioria que venceu as
últimas eleições legislativas e o poder do governo emergido do Parlamento, que
existindo, merece uma reflexão que farei seguidamente.
O PS e António Costa já decidiram algo de muito importante e inédito na política
portuguesa depois do 25A. E que o PSD-CDS ainda não perceberam ou querem aceitar.
É que este poder de uma aliança PS-PCP-BE-VERDES-PAN, não é apenas um arranjo
que permitiu a sobrevivência de um António Costa vencido nas eleições, mas uma
forma de tentar governar daqui em diante. Demasiado habituados (acomodados,
melhor dizendo) ao anterior “arco da governação” que sempre excluíu as esquerdas, a
direita política ainda não viu a floresta para além desta árvore, que é a actual
legislatura. A não ser por qualquer facto novo exterior ao País, designadamente um
novo resgate financeiro, uma “débacle” do SME ou uma catástrofe natural, o PS irá
sempre apresentar-se unido (de jure ou de facto) com as restantes esquerdas e nunca
mais irá solicitar apoios à direita. Isto quer dizer que nunca mais serão politicamente
admissíveis governos minoritários. Para se governar, será sempre condição suficiente,
mas também necessária, haver maioria parlamentar. Eu até que acho isto positivo! A
direita terá de fazer pela vida, sem ambiguidades e favores do PS, e este terá de
assumir-se de facto como partido de esquerda, e nunca mais enganar os seus eleitores,
como fez no último acto eleitoral.
OBS. Publicado na íntegra no Jornal Público, na sua edição de 10/3/17.

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