domingo, 23 de abril de 2017

A NOVA “SITUAÇÃO”


Quando Vasco P. Valente e depois P. Portas quiseram apoucar este governo, denominaram-no de "gerinconça", convictos da certeza que ela iria durar pouco, se iria implodir pelas suas próprias divergências, velhas de 42 anos de luta política em Portugal. O PS havia tido vários PMs, e nunca nenhum lhe passou pela cabeça aliar-se ao "inimigo" PCP. Mas honra seja feita à habilidade política de António Costa, este governo tem conseguido até ao presente apresentar-se coeso. As centrais sindicais estão mudas e quedas, salvo algum espirro que lançam de vez em quando para provar que ainda se não extinguiram. Os militantes e apoiantes do PS, porque este está no poder, ainda não deram sinais de luta séria contra esta solução de governo, com excepção de dois ou três militantes. Por isso de tão feliz que está, o PM até brinca e gosta que lhe chamem de gerinconça, pois ele está para durar. Eu nunca usei esse termo, e acho que esta solução de governo é uma nova "situação", de tal forma está a controlar todos os domínios da Administração e do Estado. Quem hoje ousar criticar este governo ou os seus actos, fica marcado, desde a simples indiferença até os vulgares epítetos de divisionista, reaccionário, fascista, lacaio de interesses vários, etc. Também era assim no consulado de Salazar. Havia a situação e a oposição. Esta estava porém unida, com diferentes credos, mas toda a favor da saída do ditador. Agora infelizmente nem isso, o CDS com a sua Cristas, tudo faz para se distanciar e diferenciar do PSD, até há pouco seu aliado no governo. Costa agradece, e lá vai tecendo a sua teia para se perpetuar no poder.

OBS. Este artigo foi publicado no semanário EXPRESSO e no jornal PÚBLICO, respectivamente nas suas edições de 22/4/17 E 23/4/17.

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