segunda-feira, 24 de abril de 2017

AS PORTAS DE ABRIL



43 anos depois, e a desilusão é mais que muita. Tantas das injustiças de então, permanecem, e outras até se agravaram. O desemprego, a precariedade, os salários de miséria e todas as dificuldades a estas três inerentes. Meia dúzia, voltaram a ser donos disto tudo (DDT). E com uma diferença: é que agora a maioria dessa meia dúzia, até passou a ser estrangeira. Os DDT e seus representantes políticos, venderam grande parte do país. Entrámos para a CEE que os representantes políticos dos DDT, nos prometeram ser uma maravilha,afinal a CEE/UE, impõe-nos tudo! Quotas de produção, que nos desfizéssemos da Marinha Mercante e da de Pescas, da Siderurgia e restante industria pesada, etc. Ganhámos auto-estradas . È verdade! mas temos que as pagar eternamente e servem para agora os mais ricos da UE nos impingirem os seus produtos.
Então, se concluíssemos já, Abril não teria valido a pena... Mas não concluímos, porque apesar de tudo, Abril valeu a pena. Há portas que ainda estão entreabertas, e uma delas, muito importante: a da Liberdade. Mas já há quem esteja a pensar:” pois é, serve de grande coisa a Liberdade com a barriga vazia!” Bem, não é bem assim! Serve para chamarmos o que quisermos aos DDT e, muito mais importante: para nos organizarmos e bater-nos por aquilo a que temos direito. E só por esta porta que Abril abriu, ele valeu a pena. É que ela permite-nos isso, que já não é pouco, e fecha outra porta. Uma porta muito má. Uma porta horrível, medonha. Uma porta que condicionava, antes de Abril, até a própria vida de quem a queria viver com dignidade: a porta do medo.
Portanto, 25 de Abril Sempre!
Francisco Ramalho
Corroios, 24 de Abril de 2017


1 comentário:

  1. Um interpretação lúcida da situação em que o país está mergulhado. É verdade que a maioria dos opressores capitalistas já nem sequer são portugueses, pois empresas internacionais vão-se apoderando de todo o esencial que dá lucros, ficando as que produzem produtos de risco e competição em mãos portuguesas. Vamos ter esperança porque a razão e a justiça hão-de triunfar, pois como temos liberdade para bradar a nossa voz, pode ser que sejamos ouvidos e a REVOLUÇÂO DOS CRAVOS, a nossa, derrote a IMPOSIÇÂO DOS CRAVAS, que se espalhou por muita parte.

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