sexta-feira, 21 de abril de 2017

Entre a relatividade e a subjetividade

Debatido atualmente e não indiferente a todos nós, está o tema da eutanásia. Enumeras opiniões radicais são formadas diariamente para tratar um tema extremamente sensível, que suscita varias duvidas e questões, sendo que por isso merece todo um cuidado redobrado.
Fazendo uso do que aparenta ser o senso comum, a vertente humanista da questão, terminar com a dor de uma pessoa em estado terminal até parece moralmente correta e aceitável, mas será isso suficiente para garantir a cada um de nós o “Direito” à Eutanásia?
Desde já começando pela palavra direito, sendo que um direito é aquele que em ultima analise nos permite a cada um de nós o exercer sem quaisquer atenuantes, falando aqui em Eutanásia facilmente chegamos à conclusão que não é assim tão fácil, em ultima analise a decisão caberá sempre ao medico e não ao suposto titular do direito. Ainda sendo um ponto assente de que a decisão terá de ser tomada por cada um de nós individualmente num perfeito estado de lucidez, existe em Portugal um regime de interdição, ou seja, há pessoas que por varias razoes não conseguem administrar a sua pessoa nem os seus bens, ficando essa responsabilidade sobre alçada de outrem, logo aqui teríamos um conflito.
Outras questões que importa salientar são as seguintes, quem pode ter legitimidade para tomar a decisão de acabar com a vida de alguém? Quem nos garante que o prognostico clinico é o prognostico correto? Quem pode garantir que o doente está a ter os melhores cuidados de saúde? Tudo isto carece de uma resposta exata, e no entanto parece-me um bocado impossível dar uma resposta precisa às mesmas. Desde logo exigiria uma conformidade total de um prognostico subjetivo, que certamente terá variações de médico para médico em função da sua experiência. Por outro lado, as constantes evoluções na ciência e na tecnologia deixam um mar aberto de possibilidades do que poderão ser as soluções futuras para problemas que não encontram solução no presente e por fim estaríamos a atribuir a legitimidade de cessar com vida de alguém a um profissional que se rege por uma máxima totalmente oposta que é a da garantia e conservação da vida.
Por tudo isto, parece-me obvio que há bastantes entraves para se tomar uma decisão tão irreversível e mexer numa coisa tão preciosa, que a humanidade sempre lutou, e continua a lutar para a preservar, como é a garantia da vida humana e preservação da integridade física.

Vítor Heleno

(Jornal de Noticias, 20/04/2017)

1 comentário:

  1. É evidente que este é dos assuntos que gerarão polémica. Agora que a decisão é da pessoa que quer a eutanásia para si é dela mesma, isso é uma das coisas que tenho por assente. mas eu sou um defensor estrénuo da AUTONOMIA!

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