sexta-feira, 28 de abril de 2017

Habemus Papa só para alguns

O actual Governo - numa espécie de populismo bipolar, através de um paternalismo público, à custa do privado -, recriando a bíblica frase ‘deixai vir a mim as criancinhas’ – com a indulgente tolerância de ponto ao funcionalismo público para o dia 12/5, numa sexta-feira santificada -, mudou-a para ‘deixai vir a mim os funcionários públicos’.
Só que estes, com uma ponte tão bem engendrada, encherão as praias e as esplanadas, com homilias e hossanas à preguiça estatal, à custa do pobre contribuinte e do indefeso trabalhador privado, os quais, se querem algum para sobreviver, têm de fazer das tripas coração, para manterem tanto oficializado laicismo, travestido de elevada religiosidade.

nota - texto publicado no blogue 'Ovar - novos rumos' de 28/4 e pelo PÚBLICO de 29/4/2017

José Amaral

9 comentários:

  1. Embora entenda que não se justifica tal, num Estado laico, lembrarei que todas as visitas papais anteriores, realizadas após Abril de 1974, foram contempladas com idêntica tolerância de ponto, adaptada às circunstâncias. Nada impede as empresas, algumas com patrões muito católicos, de proporcionar igual tolerância aos seus trabalhadores... embora a maioria deles tivesse rejubilado com o corte de feriados do governo anterior do PSD/CDS, dois dos quais de carácter religioso (Corpo de Deus e Todos os Santos)...

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  2. Com todo o respeito que me merecem as pessoas que têm crenças, tal como as que as não têm, eu admiro imenso este Papa, que é um homem fora do comum, e só os medíocres assim não reconhecem. Eu sou agnóstico, e não me repugna mesmo nada que a sua vinda a Portugal fosse contemplada com uma tolerância de ponto, até porque este homem é um ser de excepção, que ama a todos por igual.

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  3. Muito bem vinda a presença do Papa Frâncico em Portugal, mas não o faz como visita de Estado, no caso do Vaticano - e mesmo que o fizesse??? - , e sendo Portugal , supostamente um País Laico, não deveria criar este dias excepcional de tolerância de Ponto.

    Se amanhã vier cá o Arcebispo de Cantuária fará o mesmo?

    E o Chefe da Igreja Ortodoxa Grega, e Russa?

    Continuamos muito agarrados a atitudes do tempo de Salazes e não conseguimos mudar, o Futebol é ao lado de Fátima e Fado , algo tão, tão nosso!

    Mas....

    Augusto Küttner de Magalhães

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  4. Para não levantar tanta justificada celeuma, o Governo deveria decretar feriado nacional e não tolerância de ponto.

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    1. O Expresso de hoje escreve sobre o assunto embora lance a confusão, a menos que tenha sido eu a ler mal. Em título diz que Salazar em 1967 não deu tolerância. No texto diz que considerou o dia como feriado nacional. Do que tenho a certeza foi que a mim e aos meus camaradas do RAL 4 – Leiria, “lerpamos” com o fim-de-semana pois não nos deixaram vir a casa.E para quê se éramos instruendos e não fazíamos serviços?

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    2. Pode-se lançar as confusões que se quiserem, como é uso e costume, cá no nosso País - em vez de ir ao conteúdo , anda-se pela capa - , mas não se justifica que o dia próximo, 12 de Maio, não devesse "ter" que ser um dia normalíssimo.

      Mas as atitudes e mentalidades, de facto ainda não mudaram nestes 40 e poucos anos.....

      Ponto!!!

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    3. O meu Amigo diz isso, porque não faz anos no dia 12 de Maio como eu!

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    4. Caro amigo,
      Merece dois parabéns. O primeiro, antecipado mas sentido, pelo seu próximo aniversário. O segundo porque sintetizou lapidarmente, e com muito humor, o que eu penso da tolerância de ponto: ou estou muito enganado, ou é a favor quem lucra alguma coisa e os outros são contra. Pode-se teorizar à vontade, mas o resto é conversa.
      Um grande abraço.

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    5. Obrigado, também em duas doses. A primeira, por perceber a minha análise humorística em relação ao facto. A segunda, mais pessoal, pelos parabéns em relação ao acontecimento futuro. Um grande abraço lusitano.

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