segunda-feira, 3 de abril de 2017

Mário Centeno e o Eurogrupo

Marcelo Rebelo de Sousa disse, no passado sabado, quando surgiu a noticia do Expresso, que a ida de Mario Centeno para o Eurogrupo seria uma ma solucao para o pais. Concordo plenamente. Mas também é uma ma solucao comentar publicamente o assunto primeiro do que Antonio Costa, com a agravante de dizer que diz respeito ao primeiro-ministro, o que é uma manifesta hipocrisia politica. A postura correcta do Presidente perante o caso, se assim lhe podemos chamar, so poderia ter sido esta: nao faco comentarios, porque é da exclusiva competencia do primeiro-ministro. Nunca vi Antonio Costa comentar em publico uma questao que seja da Presidencia da Republica. A razao é simples: tem mais cultura democratica do que o Presidente. A vertente de comentador de Marcelo Rebelo de Sousa, em vez de se diluir no exercicio da funcao presidencial,  emerge sempre aqui e ali, o que me parece preocupante.
Num país onde grassam os comentadores, o que é saudável e não criticável, como muita gente diz, não vejo, sinceramente, qual a vantagem de o Presidente também o ser. Será apenas mais um? É evidente que António Costa tem a mesma opinião do que Marcelo sobre uma eventual debandada do ministro Mário Centeno para Bruxelas, a fim de presidir ao Eurogrupo, substituindo o holandês dos copos e das mulheres. Seria altamente perniciosa para o nosso país. Mas não é disso que se trata. O problema é que Marcelo extravasa os seus poderes constitucionais e invade as competências dos outros órgãos de soberania, neste caso concreto o Governo. O Presidente não pode estar a imiscuir-se em assuntos que são da esfera governativa, porque não é ele quem governa. O nosso sistema político, por muito que lhe custe, não é presidencialista. Marcelo tem de conviver melhor com o semi-presidencialismo e, sobretudo, respeitar as competências dos outros órgãos de soberania. A democracia tem as suas regras.

Além de que, comentar em público um assunto que diz respeito em exclusivo a António Costa, primeiro até do que este, é, no mínimo, falta de solidariedade institucional.  Todos sabemos a falta que Mário Centeno faria ao país, se fosse para o Eurogrupo. Ele é, para mim, o melhor ministro do nosso Governo, principal responsável pelo défice de 2,1 e por outros bons resultados, reconhecidos internacionalmente. A perda seria enorme, quase irreparável. Já tinha lido, também no Expresso, que o PS estava preocupado com a possibilidade de Centeno deixar o Governo a seguir à saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos, que está para breve. Compreendo que deva estar um pouco agastado com o que se passa com a Caixa, só possível devido à baixa política e à falta de nível da oposição, que é especialista em tricas e birras, como  disse o primeiro-ministro. Mas não tome a nuvem por Juno. Não confunda a oposição  com Portugal e os portugueses. Estes precisam e gostam de si!

Simões Ilharco

18 comentários:

  1. Eu julgo que esta referência ao convite a Mário Centeno foi uma brincadeira do 1.º de Abril e que o Presidente Marcelo, sempre disposto a comentar, não teve o cuidado devido e caiu numa ratoeira, vinda do Expresso Diário. Não vi qualquer referência, vinda da União Europeia ou de jornais estrangeiros ao facto. Se o convite fosse real haveria mais destaque nos meios internacionais interessados na substituição do ministro das Finanças do Eurogrupo.

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  2. Caíu o P.R. e caíu o Simões Ilharco. É um país "onde grassam os comentadores" (sic), como o P.R.,O Simões I. e... eu!

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    1. A notícia da ida de Mário Centeno para o Eurogrupo não é uma mentira do 1 de abril. Na Rádio Renascença,na passada quarta-feira, num programa com o comissário europeu Carlos Moedas, já tinham falado sobre este assunto. Quem percebesse aliás, minimamente, de jornais, veria que o relevo dado pelo Expresso a notícia afastava, desde logo, qualquer hipótese de mentira. O MArques Mendes é que disse na sic que era, tentado denegrir o convite a Mário Centeno. Já é sobejamente conhecido que a nossa oposição, em vez de se congratular, fica irritada com os sucessos do nosso país. Costumo dizer que os políticos do PSD e seus seguidores são os piores da Europa, se não mesmo do mundo. Simoes ilharco

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  3. Só que a queda do Simões Ilharco não é aparatosa e não faz mossa, ma a do P.R. é, e, por respeito ao cargo, devia ser mais contido. "Lá vamos cantando e rindo", conforme recomendavam as estrofes da Mocidade Portuguesa. Um abraço fraterno e lusitano, ao Fernando, do Sul para o Norte.

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  4. Não querem lá ver que "o burro fui eu"! O texto do Simões Ilharco foi hoje publicado no PÚBLICO! Ou este jornal também "embarcou" ou, caro Joaquim, "levamos para tabaco"...
    Que eu fique "com as orelhas", não me importo muito, mas confesso que gostava que fosse mesmo mentira para que o PÚBLICO, tão conspícuo, "enfiasse um barrete"... Mauzinho...

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  5. Como se percebe as cartas ao director não têm de estar de acordo com a linha orientadora do jornal e por vezes representam, apenas e só, o parecer do seu subscritor. A notícia sobre o Dr. Mário Centeno não teve qualquer repercussão digna de registo na comunicação social, mas, apenas uns salpicos, convenientes para fazer acreditar ao Zé Povinho e à oposição que o homem é considerado um perito excepcional na Comunidade Europeia e isso convém à propaganda do governo.

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    1. Caro Joaquim, não diga mais nada pois "quanto mais fala, mais se enterra" (desculpe a linguagem coloquial)! Aliás, "mais nos enterramos" pois eu também alinhei na tese do dia 1º de Abril....
      É que falei, por mail,com a Luísa Meireles, a jornalista que assinou a notícia e ela confirmou-me que não era "pêta". Por mim já "coloquei as orelhas"!

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  6. Eu sou, muitas vezes, chato e teimoso e continuo a pensar que um assunto desta importância diz respeito à Europa e não apenas a Portugal. Se nos outros países não ligaram nem comentaram, tendo saído a notícia no dia do "poisson d`Avril", não levo muito em conta o testemunho da professor/comentadora Luísa Meireles, pessoa que me merece todo o respeito, ainda que afine pelo politicamente correcto, mas da qual nunca vi sair nenhum coelho da cartola. Continuo na mesma, tanto mais que o holandês nem deu por isso e diz continuar firme no seu cargo. Preciso de mais informação, vinda dos sítios merecedores de confiança, para mudar de opinião.

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  7. Desculpem mas há aqui uma confusão. Eu, "lerdinho da cabeça", pensei mesmo que fosse uma mentira do do dia 1 de Abril!! Tão somente isso! Não estava a falar de intenções, Europa, Portugal e por aí fora! Não posso ser burro ao menos uma vez na vida? Interpretei-a como uma notícia gozona e bem arquitectada e... agora só me resta rir de mim mesmo! Estou a falar duma patetice minha, ouviram?

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  8. A intenção "aqui" era de criticar o PR, ou assumir que a notícia era do 1 de Abril??????

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    1. Como acho que essa pergunta vai direitinha para quem escreveu o texto e, em parte, para quem o comentou em primeiro lugar, calo-me. Mesmo quando fiz o meu primeiro comentário e referi o PR, foi no sentido do que já me penitenciei: para mim era uma mentira do 1º de Abril! Tão somente isto.

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    2. A pergunta seria para quem quisesse responder, e de facto neste tempo da pós-verdade, o dia 1 de Abril já não tem a prerrogativa de ser o "dia das mentiras"!

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  9. Caros Amigos - É um privilégio conversar com gente educada e apaixonada pelos destinos da nação portuguesa. Como fui o primeiro a comentar a notícia, dando o corpo às balas, respondo ao desafio que me é feito. Continuo a pensar e a afirmar que quem tem responsabilidades na situação económica e financeira do país, e o desastre, embora em crescendo, já tem décadas, quer desviar-nos a atenção da dívida soberana externa, que cresce desmesuradamente (+ de 130% do PIB), apesar da maquilhagem a que está submetida. Logo, um convite ao Ministro das Finanças para um alto cargo europeu, vem mesmo a propósito, como reconhecimento da sua competência e para atestar a boa contabilidade do governo. É preciso estar atento, porque esta gente que anda nas nuvens, ou são ingénuos, ou incompetentes, porque o dia-a-dia desmente a sua propaganda. Daí, certas notícias, fazerem parte do estratagema de boatos, que nos desviam a atenção do essencial.

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  10. Está bem Joaquim, tudo o que diz estará certo, pelo menos para si, que é quem conta porque é você que o escreve Agora o que lhe pergunto é: no seu primeiro comentário, quando fala da "brincadeira do 1º de Abril" (sic) estava a usar a expressão num sentido metafórico ou/e eufemístico ou queria dizer mesmo "mentira do 1º de Abril"? Quando o li, tomei-o à letra ( como eu tomei a notícia), mas depois, nos restantes comentários, pareceu-me que afinal não seria assim. Não faz mal, continuo a dizer: eu fui "pacóvio" na minha interpretação da notícia do Expresso.

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    1. Caro Amigo Fernando - Eu sou um homem de um só parecer, como o Sá de Miranda, embora, o que é natural, nem sempre seja capaz de me exprimir conforme seria meu desejo. Sem sentido metafórico, eu digo, e continue a persistir, que a lembrança de convidar Mário Centeno serve uma determinada estratégia da política portuguesa governamental, mas é exclusivamente um produto do 1.º de Abril. Pela falta de repercussão que teve além fronteiras, julgo que, quer eu quer, quer os que pensam como eu, temos razão.

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    2. Pronto, já entendi que a sua interpretação foi política e não, mais prosaicamente, como "pêta". Eu não, como disse, fui mais "chão" (e "parolo") na minha leitura da notícia. Mea culpa...

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    3. Sintetizando: a minha interpretação deve ser compreendida 100 % "pêta", que tinha, e tem, a finalidade de servir um determinado momento político.

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    4. A resposta do Fernando é muito sensata, e até correcta, assumindo o motivo pelo qual fez o comentário e talvez se não tivesse sido esse motivo não a teria feito.

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