segunda-feira, 3 de abril de 2017

O QUE ESTAMOS A FAZER AQUI?

Vou observando o mundo, as pessoas. Levam vidas muito rotineiras. Repetem os dias. Não que eu também não sinta o tédio. Mas, caramba. Sempre os mesmos hábitos. E depois o regressar a casa para ficaram pregadas à televisão. Não há festa. Só tarefas. Só trabalho. Só há festa quando ela é forçada pelo álcool, pelas drogas ou pelo consumismo. Ao menos os antigos dançavam em redor da fogueira. Agora é só ordem e doença. Festejam-se golos. E há ódios por causa disso. De resto, anda tudo alinhadinho, na fila, a envelhecer, a apanhar bolor. Aceita-se um sistema altamente injusto. Passa-se ao lado da Vida. Os merceeiros comandam. Os escritores escrevem banalidades enquanto a morte se abate sobre nós. A solidão aperta. Antes estivesse em delírio. Antes tivesse visões. Em vez de ouvir a linguagem da compra e venda, da sobrevivência, da competição. A simpatia soa-me a falso. Morte. Morte. Dinheiro. Solidão. O que estamos a fazer aqui?

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