quarta-feira, 12 de abril de 2017

Uma tradutora, uma amiga

Um livro é um amigo. Dois livros...
E quem os escreve? O que representa para um leitor?
Fiquei triste ao saber da morte da professora Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP), de quem tenho Estudos de História da Cultura Clássica, volume 1 (cultura grega), 5ª edição (1979) e volume 2 (cultura romana), 1984 ... edições da Fundação Calouste Gulbenkian que consultei quer na minha licenciatura em Ensino de Música, quer depois no mestrado em História da Arte, nomeadamente , com interesse no seu estudo sobre os vasos gregos ("A música está constantemente presente na vida grega.(...) E a música, que ele [Platão] mandava aprender para bem da alma, como a ginástica para o do corpo (...)" - é assim que a tradutora de Platão, de Sófocles e Eurípides termina o primeiro volume.
É graças a pessoas como MHRP (que não «mereceu» o prémio Pessoa ou o prémio Camões) que hoje podemos conhecer o pensamento e os textos fundamentais da cultura grega e romana. O que somos hoje é explicado pelo que fizeram gregos e romanos e que está na base da cultura ocidental e do que  foi e é a Europa (que parece a estar a desmoronar-se - esperemos que a França não vote em Marine Le Pen...).
Numa época do «copy - paste», dos links, da informação repetida até à exaustão e à falsificação da verdade, MHRP ensina-nos a ir à fonte, ao texto original: "Não há nada que substitua o original".
Obrigada pela sua dedicação à tradução, essa porta de acesso aos autores eternos, à Antiguidade (não é coisa pouca),  por gente que, como nós, somos o «comum dos mortais». Fica-me também o exemplo de ser, como tantos outras personalidades de relevo, uma mulher que estudou até aos 91, sempre curiosa!

10 comentários:

  1. Felizmente que deixou um discípulo "grego", o Frederico Lourenço. Esse... já prémio Pessoa. Descobri-o.há anos, na Cotovia e ficou-me logo um "cheiro" de qualidade.

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  2. A senhora não recebeu o Prémio Pessoa, ainda que o merecesse. Isto de distinções, embora devam existir com conta peso e medida, também convocam capelinhas para as atribuições. É dos livros e é dos homens.

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    1. Não é com certeza o caso do Frederico Lourenço, caro Joaquim. E, imagino, também o da MHRP se lho tivessem atribuído. No caso do FL, para além das badaladas traduções da Odisseia e da Bíblia, permito-me citar o pequeno e "leve" "Pode Um Desejo Imenso" que me levou à leitura dele.

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    2. Não ponho em causa a justiça da atribuição do prémio a Frederico Lourenço, mas o que eu afirmo não invalida o facto de muitos prémios, nas mais diversas modalidades, incluindo a atribuição de estrelas, tais como as Michelin , serem entregues a partir de capelinhas.

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    3. Claro que não invalida, Joaquim! Só não entendo porque fala disso aqui, quando estamos a conversar unicamente sobre duas personalidades que o mereciam. Uma não o ganhou, outra ganhou-o. Ou seja nos dois casos o merecimento não estava sujeito a quaisquer capelinhas que existem mas não cabem neste sadio relembrar laudatório que a Céu desencadeou.

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  3. Talvez eu seja ingénuo e não me aperceba que possa haver segundos sentidos nas observações que faço sobre os comentários que emito. Não está em causa o prémio atribuído a Frederico Lourenço, até que no seu currículo existem outros também valiosos, tal como no currículo de seu pai, o brilhante filósofo e escritor M. S. Lourenço, um valor nas letras insuficientemente conhecido. O que eu quero salientar é que existem muitas capelinhas para premiar amigos e conhecidos, e que para quem tem alguma ideia do meio, isso desvaloriza os prémios e as comendas. De resto, tudo bem. Um abraço lusitano do Sul para o Norte, com incidência especial em Guimarães.

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  4. Joaquim, acho que estamos em ondas diferentes. Não nos estamos a entender, ambos. Eu sei que não desvaloriza o prémio do Frederico Lourenço e muito menos eu atribuo segundo sentido às suas palavras! O que não percebi é porque trouxe a história das "capelinhas" que, podendo ser verdade, só trouxe "maus ares" a esta (esta, Joaquim!) troca de textos entre nós! Se, no caso vertente, a escolha foi merecida, porque razão o prémio desta ano há.de estar "inquinado" por suspeitas em abstracto sobre prémios? O que juntou isso à nossa troca de opiniões? Abraço para si!

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  5. Amigo Fernando - O senhor é um homem de garra e muito inteligente, e como tem capacidade, sensibilidade e grande formação, defende as suas intervenções até ao preciosismo.
    Estamos a falar da atribuição de prémios e da forma como são constituídos os júris, da selecção das obras, dos lóbis das editoras e das empresas que têm interesses nos resultados. Não neste caso em especial, mas que me deu a possibilidade alargar o âmbito da apreciação, sem querer generalizar. Gabriela Mistral, uma diplomata sul- americana, que apenas tinha escrito um livro de versos, foi prémio Nobel da Literatura, o que à data deu algumas discordâncias, não assim tantas, porque também não convinha desacreditar a instituição que o confere. Não ligo muito a prémios, pois no meu percurso de vida já me apercebi que, tal como na justiça dos tribunais, nem todas as sentenças são justas. Um abraço e muitas amêndoas para si e para toda a família.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Boa Páscoa para si e para os seus! E, já agora, obrigado à Céu que, não tendo essa intenção, nos proporcionou este diálogo!...

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